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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

MONOPÓLIO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO TRADICIONAIS; A SUA INUTILIDADE E A DEMOCRATIZAÇÃO NAS REDES SOCIAIS

         O ano de 2016 foi fundamental para a mudança de paradigma político e cultural no Brasil. Grande parte da população brasileira engrossou as manifestações de rua e contribuiu para desmitificar a retórica dos partidos de esquerda ou grupos de influência marxista que alcançaram o poder nos últimos 30 anos. Durante essas três últimas décadas alguns poucos amigos estiveram comigo experimentando conflitos intelectuais e culturais com esses grupos ideológicos que se organizaram em um partido de esquerda para, através dele, chegarem ao poder político, administrativo e econômico aqui no Brasil. Por conta disso sofremos retaliações profissionais e, consequentemente, econômicas por parte das organizações públicas e privadas alinhadas á retórica deles. O projeto de poder dessa esquerda se apoiou em retórica que atendia a diversos segmentos sociais. Hora se mostra liberal, outra hora marxista, populista ou socialista e em outro momento assimila o discurso liberal católico apostólico romano latino-americano.  Cercados por todos esses campos de retórica a nossa atividade cultural, intelectual, política e econômica sofreu toda sorte de perseguição velada o que nos causou danos familiares e pessoais. Sem o alinhamento a esse grupo de poder fomos excluídos do mercado de trabalho como profissionais de comunicação e de criação cultural. Para melhor compreensão das retaliações que sofremos, cito o período da luta pela democratização dos meios de comunicação de rádio e televisão do qual participamos  com destaque social  e político nos anos 90. 
          No Brasil, desde a década de 50 do século XX, as concessões para exploração de rádio e televisão, estavam concentradas nas mãos de políticos, da igreja Católica Romana e de uma dezena de famílias ligadas, direta ou indiretamente, a política institucional do Governo Federal. Era, portanto, impossível se expressar através de meio de comunicação de rádio e televisão. Para exercitar nossas próprias concepções políticas, nossa criação artístico-cultural só nos restava romper o cerco institucional das concessões. Mesmo nos canais de comunicação público nos deparamos com o cerceamento ideológico cultural da esquerda acadêmica vinculada organicamente ou por simpatia ao referido grupo de poder. Para tanto montamos um centro cultural auto gestionário em 1986 que ficou conhecido como Casa de Cultura Reversão. No ano de 1988, sob minha responsabilidade, montamos e fizemos funcionar, dentro da Casa de Cultura, a Rádio Livre Reversão, emissora de rádio de baixa potência, sem que a mesma tivesse qualquer permissão institucional.
Com programação que negava os padrões culturais institucionalizados, bem como a mercadoria da industria cultural de entretenimento  e as manifestações artísticas orgânicas, a Rádio Livre Reversão funcionou até o dia 9 de abril de 1991 quando a Casa de Cultura e o estúdio foram invadidos pela Policia Federal e o Ministério das Comunicações, levando-me preso e, junto comigo, todos os equipamentos daquela pequena emissora. Por três anos respondi a processo judicial até que fui absolvido, recebendo de volta todo o equipamento da rádio que havia sido confiscado pelo Governo Federal. 
          O fato de ter sido absolvido daquele processo judicial do Governo Federal resultou, em consequência, no surgimento de milhares de pequenas emissoras que se instalaram pelo vasto território do Brasil sem que, para isso, tivessem permissão legal. Essa situação de desobediência civil obrigou o próprio Governo Federal a regulamentar no ano de 2001 o funcionamento de emissoras de baixa potência no Brasil. Essa regulamentação foi estabelecida para evitar que esse tipo de atividade nos meios de comunicação de Rádio e Televisão de baixa potência e sem permissão federal fosse explorado com amparo na jurisprudência criada pela Rádio Livre Reversão, quando da minha absolvição e, consequentemente, da reintegração legal de posse do transmissor e outros equipamentos da pequena emissora que voltou ao ar e prosseguiu funcionando livremente até o ano de 1996. 
       A apreensão da Rádio Livre Reversão foi noticia em grande parte da mídia diária, com exceção das mídias ligadas a Rede Globo. O fato despertou a opinião pública para a causa da Democratização dos Meios de comunicação de Rádio e Televisão. Tal publicidade fez com que surgissem iniciativas de partidos políticos de esquerda que, na forma de associações e foro, se organizaram para representar, intermediar e controlar essa bandeira de luta. Sob a influência dessas associações, dos foros, das organizações patronais e de setores da igreja católica envolvidos com comunicação, foi confeccionado o projeto de regulamentação da atividade de emissoras de baixa potência dando a elas o título de Rádios Comunitárias. Ao final, o projeto aprovado pelo Governo Federal transformou rádios livres em rádios comunitária tirando dessa atividade a capacidade de interferir no conteúdo e no mercado local. Essa transformação permitiu que rádios comunitárias se transformassem em aparelhos políticos, premiando com concessões as associações alimentadas e preparadas com a retórica dos grupos de apoio ao partido de esquerda que objetivava e, por fim, alcançou a administração do poder federal no Brasil. A regulamentação destruiu de vez as possibilidades do exercício da liberdade de expressão sem controle legal e da autorregulamentação proposta pela Rádio Livre Reversão. 
          Contrariando o Pacto de São José da Costa Rica, (1969), do qual o Brasil foi signatário, a regulamentação federal sobre exploração de rádio de baixa potência promulgada pela Lei Nº 9.612, de 19 de Fevereiro de 1998, assinada por Fernando Henrique Cardoso, vestiu camisa força na liberdade de expressão. A luta pela democratização dos meios de comunicação que exercitamos com êxito através da Rádio Livre Reversão começou a se esvaziar. Se por um lado a Rádio Livre Reversão nos tornou vencedores, por outro lado nos colocou na lista negra dos ativistas sociais que passaram a ser cerceados em atividade profissional que envolvesse comunicação e cultura. 
         O esvaziamento da luta pela liberdade de expressão na democratização dos meios de comunicação foi causado, estrategicamente, pelos setores politicamente organizados da sociedade cujo projeto principal era chegar ao comando do Governo Federal. Esse projeto de poder  das esquerdas e igreja católica romana latino americana se  consolidou em 2003 com a eleição de Lula para presidente da república colocando o Partido dos Trabalhadores no comando das instituições brasileiras. A liberdade de expressão, a democratização dos meios de comunicação e o exercício livre da comunicação pelos cidadãos silenciados não atendiam o projeto do Partido dos Trabalhadores na sua estrategia ideológica de controle político e econômico do Estado Brasileiro. O projeto do Partido dos Trabalhadores, a exemplo do que ocorreu na Venezuela e na Bolívia, era ficar no poder por tempo indeterminado. Por conta disso, qualquer manifestação que pudesse ameaçar a estratégia de poder do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, foi esvaziada, como ocorreu com o movimento pela democratização dos meios de comunicação de rádio e televisão e com a luta pela liberdade de expressão. No entanto o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores e aliados, o qual foi finalmente alcançado em 2003 e que causou tantos danos durante todos esses anos, encerrou-se oficialmente em 2016 com o impeachment da sucessora de Luis Inácio Lula da Silva.
         Ao falar do esvaziamento da causa promovido pelo Partido dos Trabalhadores e aliados de esquerda, não podemos deixar de apontar a conivência e participação do capital empresarial detentor das mídias, do conteúdo delas, da mercadoria de divertimento cultural, da demanda do mercado consumidor, do controle da opinião pública, da publicidade privada e da publicidade institucional do território brasileiro. O capital agiu concomitantemente com a esquerda, tirando proveito das mesmas questões, embora se utilizando de estratégias próprias. Ao invés de quadro partidário, o capital pode contar com a fidelidade e interesses de próprios funcionários que gozam de altos salários e projeção social, trabalhando, em boa parte, para a empresa e para o Partido dos Trabalhadores e seus aliados. São esses funcionários os jornalistas, os trabalhadores em representação de personagens de novelas, os técnicos e serviçais de maneira geral.
        Quando já não se falava em Rádio Livre ou em Rádio Comunitária, quando o bojo dessa luta já havia se esgotado com o Partido dos Trabalhadores no Governo Federal e, consequentemente, quando os meios acadêmicos deixaram de manifestar interesse para formulação de teses e TCCs sobre esse tema, surge uma nova expectativa para a liberdade de expressão. Quando tudo parecia acabado,  um movimento novo e inusitado atravessa nossas fronteiras, vindo do hemisfério norte, dando a luta pela Liberdade de Expressão uma vitória incontestável.
       Surge a internet  que se torna um fato comparável a construção da prensa de tipos móveis de Gutemberg e das grandes navegações do século XV.  Junto com a internet, fenômeno tecnológico ocorre no inicio do século XXI, o conhecimento e as fronteiras são ampliados com a globalização. Esse processo é resultado da expansão tecnológica dos países desenvolvidos que mundializou novos parâmetros tecnológicos e econômicos após a queda do muro de Berlim em 1989 e o final da Guerra Fria.
     Com o passar dos anos a onda da globalização atinge  tardiamente o Brasil e os outros países subdesenvolvidos da América latina. No decorrer desse processo de globalização, chega ao território brasileiro as tecnologias de comunicação e informação digitais e com elas a internet. Aos poucos foi se consolidando, pela globalização e de fora para dentro do país, o novo processo de democratização da comunicação, da liberdade de expressão, da informação e do livre exercício da opinião pública através das redes sociais. Com a evolução da internet para as redes sociais, toda luta deflagrada, todo esforço empenhado e deslocado desde a implantação da Rádio Livre Reversão, em 1988, toda essa conquista havia sido substituída, tornada sem nexo, sem significado. Agora não se falava mais em meio de comunicação de rádio e televisão de baixa potência, em 50 ou 10 mil watts, pois a internet está a disposição de qualquer sujeito e o alcance é inimaginável. Nada  do que até agora fora feito possuía a dimensão, as características, a importância desse novo processo mundial que envolvia a liberdade de expressão. A tão sonhada vitória que se desejava alcançar pela liberdade de expressão através da democratização dos meios de comunicação de rádio e televisão estava, enfim, contemplada com a comunicação digital nesse novo momento da história dessa parte da humanidade desenvolvida. Por romper fronteiras e tornar o cidadão conectado com outros indivíduos de qualquer parte do planeta, a globalização retira das mãos de governos do terceiro mundo e dos projetos ideológicos totalitários o controle sobre a comunicação coletiva entre cidadãos e o controle sobre seu conteúdo.  Estabeleceram-se as redes sociais criando a possibilidade de enfraquecer o monopólio da retórica das mídias e o controle total das mesmas sobre a opinião pública. No terceiro mundo latino americano, a exemplo do Brasil, o sistema de comunicação sempre fora controlado por políticos, pela igreja católica e por poucas famílias que se apoderavam das concessões e, consequentemente, da opinião pública, como também da mercadoria cultural.
         As redes sociais deram vazão as opiniões, reflexões e ponderações acumuladas e silenciadas por décadas no isolamento imposto pelo monopólio que não permitia a consolidação de canais de comunicação livre e coletivo, ainda que de potência e abrangência insignificantes como as rádios e TVs livres. Com a chegada da internet foi possível tornar público e acessível a todas as pessoas, de todos os países e lugares, textos, poesias, estudos, opiniões, imagens, informações e toda sorte de publicações dos mais diversos enfoques ideológicos e conceituais. Através das redes sociais, deu-se vazão a opinião pública como nunca houvera ocorrido antes, até mesmo nos anos em que se falava diariamente através dos microfones da Rádio Livre Reversão para um publico estimado em trinta mil ouvintes. Nas redes sociais a expressão aprisionada ganhou liberdade, interlocução com respostas instantâneas, abrangendo toda sorte de indivíduos, sem nenhum vínculo orgânico com partidos, associações ou grupos organizados legalmente. 
    Outro fato importante foi a crise que se estabeleceu na atividade  de algumas profissões corporativas que intermediavam a relação entre a opinião pública e o poder político institucional, entre a informação e o vazio intelectual. Nesse caso a profissão de comunicador social, jornalista, em todas as suas especialidades, perdeu a importância na intermediação e representação da opinião pública. A globalização e as redes sociais colocaram os representantes do poder político institucional em contato direto com os cidadãos, desapoderando profissões e status, entre elas a dos jornalistas da imprensa escrita, mas também  redatores e âncoras  da televisão. Também na área da educação a profissão de professor foi descaraterizada já que o conhecimento está a disposição de qualquer um que pode alcança-lo em qualquer parte do mundo através das ferramentas de pesquisa e da digitalização e publicação virtual de todo tipo de informação, seja ela em áudio, vídeo ou escrita. Da mesma maneira a identificação de trabalhadores que fazem interpretação ou imitação de personagens nas novelas e no cinema, até então considerados artistas, tem seus dias contados. Ocorre que as novas tecnologias de informação e comunicação colocam a disposição do cidadãos até então  silenciados  todos os instrumentos tecnológicos para a confecção,  registro, edição e publicação de sons e imagens.
     No entanto, os valores comportamentais, de costumes, hábitos de consumo, valores éticos e morais que foram desestruturados ou introduzidos através do monopólio da mídia e do controle da opinião pública, nestes últimos trinta anos, migraram para dentro das redes sociais. Representados por sujeitos de faixa etária presumível, acima dos 40 anos de idade, esse grupo social tem encontrado dificuldades para lidar com a liberdade de expressão. No entanto o volume de informações com a marca da liberdade de opinião tem gerado mudanças até mesmo neste referido grupo, ainda que de forma paulatina. Ainda assim essas mudanças não desfazem a insegurança que esse grupo de indivíduos acumulou pelos anos de submissão ao sistema de produção de opinião/pronta do monopólio da mídia. É possível observar nas redes sociais grande quantidade de publicações de clichês ou frases prontas de autores de toda natureza e mesmo de "artistas" orgânicos mitificados pelo monopólio da mídia e usados no projeto de poder dos partidos da esquerda  marxista ou socialista. 
        Por outro lado, as redes sociais têm aproximado os sujeitos que foram silenciados,  ocultados e desprezados pelo monopólio. Esses indivíduos agora procuram uns aos outros e convergem para as mesmas preocupações. Romper com o silêncio foi o principal  motivo que nos levaram a edificar o projeto da Rádio Livre Reversão. A bem da verdade, a Rádio Livre Reversão alcançou projeção política social, mas não logrou exito de conteúdo cultural na disputa desproporcional com o monopólio. Diante disso pode-se afirmar que o encontro entre indivíduos silenciados com preocupações semelhantes não aconteceu antes da internet. Pois, mesmo com rádios e TVs livres, não poderiam conversar, se encontrar e construir o próprio discurso usando a tecnologia do rádio e da televisão onde somente  emissor  detinha e ainda detém o poder de comunicação. O atraso ocasionado pelo monopólio das comunicações e de formação da opinião que somado ao sistema educacional contaminado por teses marxistas que resistiram mesmo com o fim do Muro de Berlin,  deixam um legado que não desaparecerá nos próximos anos. Certamente, o resultado da falta de liberdade de expressão que submeteu gerações fará com que grande número de indivíduos  continuem carregando, manifestando e reproduzindo valores éticos, morais e culturais que lhes foram sedimentados pelo monopólio, seus profissionais e intelectuais orgânicos.
        Temas como corrupção, parlamento, justiça, violência e outros de ordem moral e ética passaram a ter voz nas redes sociais através da opinião pública até então silenciada. Se as manifestações da opinião pública silenciada foi fundamental para desconstruir a retorica esquerdista de poder, outros temas, que embora subjetivos dão sustentação a esse tipo de poder, continuam sendo usados e manipulados pelo monopólio e ignorados nas redes sociais. Questões como as que põem em público o controle do mercado cultural, da mercadoria de divertimento cultural, da representação sindical, do voto obrigatório, da inviabilidade ou não do pacto federativo, da multiplicidade de identidades regionais, do controle do conteúdo acadêmico, entre outros, não receberam ainda a mesma atenção. Talvez porque obedeçam ao processo natural de implosão por etapas que está em curso no atual momento histórico mundial e, consequentemente, brasileiro. 
        Estas questões, embora ocupem parte do conteúdo das redes sociais, são propositadamente ignoradas pelo monopólio que se ocupa das pautas das redes, mas enfatiza apenas o problema econômico e a corrupção com a intenção de não colaborar com mudanças culturais no sistema político e organizacional do estado brasileiro. O processo econômico e político representativo, o controle da informação e da opinião, prosseguem monopolizados e explorados institucionalmente como uma reação do que foi estabelecido há décadas às possíveis mudanças reclamadas pelas redes sociais.. 
       Governo Federal incompetente e corrupto sendo deposto, governador ladrão sendo preso, deputado ou senador sendo cassado e processado, todos são substituídos por outros da mesma cepa, dando continuidade ao mesmo processo.  Por décadas, partido político vem agindo como quadrilha legalizada, cartorial e de único proprietário, legislando em causa própria. Esse sistema se mantêm através do poder judiciário que permite a impunidade como  exercício político. Os processos dependem do tempo que levam para serem decididos e do comprometimento do juiz com esse ou aquele grupo político, com essa ou aquela corporação. Quando ocorre substituições, as mesmas  tem a função de estabilizar o sistema sem alterar privilégios. Embora de siglas diferentes, há interesses comuns de todas as agremiações partidárias que se confundem com quadrilhas legalizadas que desejam atacar os cofres das instituições públicas de forma legal e avalizada pelo voto popular. Certamente se tornou muito fácil e de pouco risco se organizar para assaltar o erário público. Os partidos agem como se fossem um cinturão de blindagem ao parlamento, tendo todos eles origem ideológicas semelhantes e a mesma base de formação cultural originária dos anos 70 e 80 do século XX. 
        Esse quadro projeta a ideia de que não haverá mudanças que possam solidificar novas propostas de recuperação da sociedade brasileira como um todo nacional, federativo, administrativo, representativo e democrático. Também não haverá paridade entre o país legal de funcionário público do alto escalão, de parlamentares e o restante da população que se sustenta na iniciativa privada ou através de atividades econômicas informais. Diante disso é possível supor que iniciativas que visam mudança desses valores culturais corruptivos, aéticos e imorais que identificam o Estado Brasileiro, deverão ceifar a energia de várias gerações se, por acaso, haver disposição e empenho delas em lograr êxito.

                                                                         Valionel Tomaz Pigatti (Léo Tomaz)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A diferença de Caridade e solidariedade.

The difference of Charity and solidarity.
                                                                                    Valionel (Léo Tomaz).

               Sinto falta dos debates acalorados que se davam com amigos de posições divergentes e com os que somavam nas opiniões. Foi assim em muitas noites que se tornaram inesquecíveis e marcaram boa parte da história que ultrapassou um quarto de século de existência da Casa de Cultura da Reversão Paulistana. Os conflitos de ideias e de interpretações da realidade nos permitiram exercitar a reflexão preparando alguns para superar as decepções políticas e culturais desse início de século XXI aqui no Brasil. Pode não se enquadrar do ponto de vista da formalidade e da cientificidade, mas a Casa de Cultura da Reversão me pareceu, em alguns momentos, uma escola que oferecia curso Acadêmico pelo tanto que exercitei e aprendi. Obviamente que ao chegar à rua Hermilo Alves, 569, na Vila Ré, cada qual trazia consigo experiência, conhecimento, herança, vícios, influências e convivência.  A Reversão Paulistana permitiu esse exercício. 
               Para mim o complicado, o difícil no exercício de refletir sobre a realidade tem sido a necessidade de identificar, desopilar, limpar, desinfetar de meu próprio discurso os valores e interpretações que me foram introjetados através da educação e da cultura por esse ou aquele interesse ideológico,  político partidário, de grupos da Modernidade que preencheram o século XX na América Latina, especificamente na América de colonização portuguesa. Custou-me separá-los dos valores subliminares e atávicos que estavam embotados em mim e que me  foram transferidos por herança milenar de meus antepassados. Valores, esses, que embora estivessem adormecidos ou controlados pelo bombardeamento de interesses da educação e da cultura local, eram como reserva substancial para que, na medida em que os mesmos viessem à tona, fossem recuperados e reapresentados, propiciando-me identidade, coerência e a descoberta de mim mesmo. No momento em que esses valores que estavam embotados em mim foram aflorando, passei a enxergar, por eles, os instrumentos de manipulação no discurso e comportamento desse ou daquele sujeito, dessa ou daquela instituição política e social, bem como o que era e o que não era da minha essência. Por esses valores que resgatei consegui identificar discursos diferentes, mas que tinham a mesma base cultural, a mesma formação, resultantes dos mesmos interesses ideológicos, objetos da mesma estratégia de grupos de poder. Recuperando esses valores milenares que estavam em mim, desfragmentei-me, situei-me como indivíduo integro e milenar no contexto local e no planeta. Quando comecei a montar a Casa de Cultura da Reversão ao final de 1985, já havia me desvencilhado de boa parte das influências dos discursos políticos partidários que marcaram a década de setenta e que, ainda hoje, 2015, se mantêm vivos, na ordem do dia e no poder na América Latina. 
          Para exemplificar como os valores de minha herança cultural e milenar, me ajudavam a identificar o discurso estranho a minha realidade, vou discorrer sobre um fato que se deu no inicio dos anos 2000,  quando sentei ao lado de  um amigo no bar da Casa de Cultura e ele  se referiu ao escritor Eduardo Galeano que dizia assim: “Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas”. Antes de prosseguir com a avaliação da afirmação desse escritor, acredito que não é intelectualmente saudável reproduzir ou mesmo ler o autor sem antes conhecer seu comprometimento, sua história pessoal, sua fonte política partidária e filosófica. Essa preocupação cabe ao se ler Galeano, bem como ao ler o que passo a escrever sobre o que Galeano afirmou. É óbvio que reconheço a  distância que nos separa na projeção social como escritores. No entanto, hoje já não tenho certeza se  possuo mais ou menos importância, se tenho mais ou menos conhecimento empírico ou intelectual, ainda que Galeano tenha se consagrado como escritor tanto para o mercado literário quando para os registros acadêmicos
              A obra  de Eduardo Galeano que se destacou é, sem dúvida, As Veias Abertas da América Latina. Nela esse autor analisa a História da América Latina argumentando contra a Europa e os Estados Unidos da América do Norte como exploradores econômicos e políticos do povo latino-americano. O autor era influenciado, à época, pela estratégia política e cultural da Internacional Socialista que ainda nos dias de hoje exerce influência na produção literária. O livro tornou-se um clássico entre os membros da esquerda latino-americana pró União Soviética ou pró Rússia, pró China, pró Albânia ou Cuba, países que eram referências, influenciavam e financiavam economicamente atividades políticas dos partidos e grupos de esquerda marxistas por todo o planeta, desde 1917 até que se deu a derrubada do Muro de Berlim em 1989. Muitos desses militantes, como já anotei em outros artigos, ainda hoje estão em atividade na vida pública, cultural e acadêmica da sociedade latino-americana. De formação marxista, Galeano trabalhou como editor do Jornal Marcha, semanário da esquerda uruguaia nos idos dos anos 60/70. 
           Sem deixar de respeitar o vasto trabalho de Galeano, atenho-me apenas a identificar os motivos ou a falta de motivos que levaram esse autor a optar por solidariedade em detrimento de Caridade. Certamente Galeano não se apoiou nos conceitos de "solidariedade mecânica e orgânica" que Émile Durkein conceituou no século dezenove. E mesmo que sustentado em Durkein, Galeano teria cometido erro de convencimento já que, atualmente, no inicio do século XXI, o embate entre ciência X religião que alimentou  a produção de intelectuais no conflito de interesses entre socialismo e capitalismo durante o século XX, já não tem importância política. Agora, no século XXI, Ciência e Religião são campos distintos e caminharão juntos, que um não afeta o outro.
         Primeiramente é preciso compreender que a Caridade para nós, Cristãos Ocidentais,  trata-se de um Dom de Deus, materializado na ação de Jesus Cristo através de sua Doutrina, responsável pela construção da ética e da moral do indivíduo ocidental (também de cristãos por todo o planeta) nestes últimos dois mil anos. A Caridade é a Perfeição e está ligada diretamente à figura de Jesus Cristo. Mesmo em dose homeopática, o exercício da Caridade sedimenta valores éticos e solidifica o respeito à Dignidade Humana. A Caridade habita no ser humano e é um instrumento de sobrevivência, exercitada mais comumente pelas mulheres. Manifesta-se em indivíduos espiritualmente sofisticados, que, por vários motivos, atuam onde a desigualdade entre os Homens se manifesta, quer por deficiência física e mental, por catástrofe natural, doença, incompetência, fragilidade e assim em diante. 
         Também o conceito de Igualdade, quando usado fora da Doutrina de Jesus Cristo e do campo espiritual,  só tem sentido político partidário e como retórica dialética. Serve na política administrativa  para que se aprimorem instrumentos sociais de natureza jurídica do Estado os quais regulamentam o acesso a Justiça, a Educação e afins. A igualdade, como resultado da mais valia, assentada na análise econômica e na divisão de classes, surgiu com o modo de produção da velha industrialização. No entanto a industrialização que se deu no século XIX e inicio do século XX já foi substituída por outra forma de produção. Atualmente o mundo se prepara para a Quarta Revolução Industrial onde a economia depende da presença de tecnologias digitais, mobilidade e conectividade entre pessoas, homens e máquinas dissolvidos e a informação como valor central. Ocorre que mesmo diante desse quadro evolutivo da industrialização, grupos políticos partidário nos países democráticos em desenvolvimento, prosseguem com o uso do conceito de  Igualdade sob a ótica econômica marxista,  investindo nessa retórica com objetivo de alcançar o poder político e administrativo desses países. A retórica utilizada por Eduardo Galeano é influenciada pela velha industrialização que dividiu e monopolizou o mundo industrializado do século XX entre esquerda e direita.
              Esse suposto diferencial  retórico entre esquerda e direita foi responsável por grande parte da violência social que afligiu a humanidade durante todo o século XX deixando milhões de mortos pelo caminho. Por outro lado, registrou-se um período de grande avanço tecnológico e científico, bem como do aperfeiçoamento do exercício e da compreensão do  Cristianismo e do papel da religião. 
           É certo que em função da disputa que alguns países estabeleceram entre si na busca da hegemonia cultural , intelectual, política e econômica global,  tal como Solidariedade e Igualdade, outros termos passaram a ser utilizados como, por exemplo,  o "fraternidade". No entanto essas nomenclaturas são conceitos manuseados e desenvolvidos por corporações cujo objetivo é oferecer outras opções de retóricas ideológicas para grupos que também ancoram no conceito de Igualdade ou que tem o mesmo matiz ideológico. Esses grupos assentam na mesma doutrina a construção de seu discurso político partidário, mas pertencem a organizações e estratégias diferentes. Esses conceitos vem desempenhando papel político desde a Revolução Francesa.
João Paulo II e Lech Walesa


               Como exemplo do uso político de "Solidariedade"  como jargão, podemos citar a ida do papa João Paulo II à Polônia, país que estava sujeito a Rússia Soviética, cujo regime ideológico restringia a atividade religiosa. Em 15 de junho de 1983, o papa João Paulo II foi à Polônia, sua terra natal, e apoiou o Solidariedade, Solidarność em polonês, organização sindical presidida por Lech Walesa o que, circunstancialmente, foi fundamental para a derrocada do paradigma da igualdade materialista da retórica Soviética.  O papa passou a simbolizar a resistência ao colonialismo soviético/ateu para os poloneses.
          Também em 1983 João Paulo II foi à Nicarágua, na América Central, e criticou publicamente o bispo Ernesto Cardenal que se apresentava como representante de Roma e apoiava explicitamente os sandinistas pró-soviéticos-cubanos. Isso demonstrou que a Igreja Católica Romana dirigida por João Paulo II era solidária com os portuários na Polônia que se rebelaram contra o colonialismo Russo/Soviético, mas não era solidária com o seu representante na Nicarágua que apoiava o colonialismo de Moscou.
João Paulo II e Ernesto Cardenal
            Podemos observar também a opção cuidadosa que a Igreja Católica Romana na América Latina  deu aos jargões "Solidariedade e "Fraternidade". Basta lembrar, por exemplo, as campanhas da fraternidade que marcou a ação da CNBB -Confederação Nacional dos Bispos do Brasil- de 1991 a 2011, que nesse período influenciou toda a ação política e social no Brasil e, certamente, na América Latina. A aproximação da Igreja Católica Apostólica Romana com o campo socialista se deu através da Teologia da Libertação que trata-se de uma corrente teológica cristã nascida na América Latina, depois do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín (Colômbia, 1968), que parte da premissa de que o Evangelho exige a opção preferencial pelos pobres e de especificar que a teologia, para concretar essa opção, deve fazer uso das ciências humanas e sociais.  Dessa forma podemos entender os motivos políticos que levaram os bispos latino americanos a optarem por fraternidade ao invés de solidariedade como jargão.  Ocorre que  somada com a divergência ideológica interna quanto a ação de João Paulo II em relação ao colonialismo Russo/Soviético e à Nicarágua, os bispos brasileiros ao se aproximarem do campo marxista para ganhar autonomia em relação a Roma de João Paulo II e combater a expansão do protestantismo dos EUA e Inglaterra na América do Sul, optaram por  "fraternidade" como jargão da campanha da CNBB, Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil.
          Fato importante para o entendimento desse processo político ocorreu na greve do ABC em 1979, aqui em São Paulo, Brasil. O movimento grevista contou com apoio da CNBB que  alavancou a figura  Lula e do Partido dos Trabalhadores levando-os à presidência da República no Brasil. A população, de uma forma geral, se mobilizou para enviar alimento aos grevistas. Eu mesmo participei ativo e emocionalmente disso. Inegavelmente boa parte da população demonstrou solidariedade aos trabalhadores fabris em greve no ABC, mas não à causa subliminar, ideológica ou para com a visão de mundo dos mesmos. Fomos solidários à distância, longe da verve ideológica marxista, o que demonstra que nem no ABC ou em qualquer outro momento político houve manifestação de Caridade. 

            Obviamente que para a noção materialista do marxista Eduardo Galeano e, consequentemente, como ateu que era, a utilização do termo "solidariedade" como retórica de classe social torna-se um agregador político imediato, superficial e de fácil acesso,  podendo mudar uma situação política e de poder. No entanto, por  modismo, desleixo ou falta de identidade histórica, comete erro condenador ao estabelecer juízo de valor entre Caridade e solidariedade,  objetivando anular a influência da doutrina de Jesus Cristo nos valores que mantêm unidas diferentes classes sociais. Ora,  é nítido perceber com profundidade que a Caridade tem sustentado a civilização ocidental e suas relações humanas há milênios e que somente a Caridade como Dom de Deus é transformadora e aprimoradora do indivíduo interior porque trata do Amor ao próximo. Ela estabelece critério de valor humano para as  relações sociais, tornando-se a base para o desenvolvimento ético, moral e espiritual  do Homem e de toda civilização humana.
             Com isso quero dizer que a Caridade está em plano superior, espiritual, que não pode ser questionado pela ciência e vice-versa, não é objeto de campanha ou de Partido Político porque não serve a esse propósito e não pode ser distribuída. A Caridade é valor intocável que identifica, de forma preponderante, o comportamento esperado do Homem quando este alcança o estágio mais desenvolvido dentro da Civilização Cristã Ocidental e de outras civilizações que se ancoram na Doutrina Cristã. A Caridade é instrumento de aprimoramento das relações éticas entre os indivíduos e da construção do caráter dos mesmos. Para tanto, não se deve aceitar, sem resposta, que alguém, por presunção intelectual, por ingenuidade, intenção ou comprometimento ideológico, trabalhe para dirimir a Caridade com intuito subjetivo de enfraquecer esse valor ético milenar que nos identifica e aprimora enquanto Civilização Cristã.
             A Caridade não desobriga o Estado, a Igreja e o cidadão de se preocuparem com a miséria humana e suas causas. Ela, a Caridade, no entanto, não depende do Estado, da Igreja, do cidadão, porque já está posta por Jesus Cristo e somente pode ser aprofundada na sua compreensão desde que não sirva como objeto de partidário político  ou corporativo. Ela, a Caridade, é percepção de cunho estritamente espiritual e individual se materializando somente em ações de indivíduo para com outro ou para com outros e não na ação de grupo fomentado por interesses econômicos ou políticos partidários ainda que assentado em princípios humanitários. Ela, a Caridade, pode ser desvelada, para nós, pelo contato direto com Jesus Cristo e mesmo por toda Igreja Cristã se nela houver o exercício constante do conhecimento e prática da doutrina de Jesus Cristo. Portanto, sem Caridade  não há conversão do Homem primitivo para o Homem  Civilizado na Civilização Ocidental.
                      Embora em 1990 já tivesse terminado a Guerra Fria entre o Campo Socialista representado de um lado pela Rússia, através da União Soviética, e do outro lado pelos EUA e aliados, esses ligados ao Campo da Livre Iniciativa e Liberdade de Expressão, ocorreu que intelectuais adeptos ou simpatizantes do marxismo continuaram ativos. A produção intelectual marxista do período da Guerra Fria  foi marcada pelo combate aos valores culturais da Civilização Cristã Ocidental. Isso ocorreu não apenas dentro dos países sob a influência Campo socialista dominado pela Rússia/Soviética, mas também ocorreu dentro dos países ocidentais. Grupos marxistas partidários da União Soviética, atuavam livremente onde havia liberdade de expressão e, principalmente, em países aliados dos EUA e cujos  governos se opunham ideologicamente ao sistema inspirado nas teses marxistas.  Intelectuais e simpatizantes marxistas puderam existir dentro dos países ocidentais e neles exercitar a Liberdade de Expressão, principalmente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento de formação cristã que experimentam períodos democráticos como o Brasil.
O século XX, que se encerrou no calendário  há pouco, foi marcado pelo conflito entre ciência e religião ou, mais especificamente, do materialismo marxista contra Religião, em especial a Cristã.. O combate a igreja e, em especial, ao Cristianismo esteve presente na produção intelectual das Universidades  estabelecidas dentro dos países desenvolvidos da Civilização Cristã Ocidental, mas também em Universidade Públicas dos países subdesenvolvidos e de influencia majoritária do catolicismo romano latino americano que via nos marxistas uma possibilidade de minimizar o avanço do protestantismo.
         Ainda que os intelectuais que se puseram a combater o cristianismo e a figura de Jesus Cristo tenham lido e relido o Novo Testamento, este livro, que difere os Cristãos dos das outras religiões  monoteístas,  foi dissimulado e condenado como leitura e fonte de conhecimento pelos intelectuais de influencia marxista. Considere-se ainda  que a  falta de interesse  pela leitura do Novo Testamento assim  como da Bíblia Sagrada em seu todo, deve-se também a influência da Igreja Católica Apostólica Romana num todo e, em especial, da América Latina. Ocorre que, em função da diferença entre a sua prática religiosa e organizacional em relação a alguns  princípios da Doutrina Cristã,  a Igreja Católica Romana da Contra Reforma,   proibiu, em 1564 a leitura da Bíblia por qualquer indivíduo que não fosse clérigo e ainda  manteve sua Bíblia  escrita em latim. O latim  foi mantido como a língua utilizada nas missas até a década de sessenta do século XX aqui na América Latina.  Essa decisão de manter a missa e a  Bíblia usado pelos clérigos em latim obedece a decisão do  Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563.  Com o Concilio de 1545, a Igreja Católica Apostólica Romana  respondeu politicamente à Reforma Protestante de iniciativa do monge agostiniano alemão Martinus Luter (Martin Luther) que propunha,  desde o século XV, entre outras coisas, a tradução da bíblia nas línguas locais para que toda a população tivesse acesso ao seu conteúdo.
        Mesmo sendo a base da construção do indivíduo ético, moral e comportamental da civilização cristã, tanto ocidental como oriental, a indicação da leitura da Bíblia Sagrada, em especial do Novo Testamento, que alimentou Eduardo Galeano na América do Sul e a maioria dos filósofos da Escola de Frankfurt, foi condenada pelos  pedagogos do sistema público de educação, inclusive para os cursos de graduação, nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento como o Brasil.
A  Caridade pode ser lida no livro escrito há quase dois mil anos pelo apóstolo de Jesus Cristo, Paulo, em I Coríntios, capítulo 13, que a descreve assim:
“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.      
        E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria.
         Ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria.
         A caridade é sofredora, é benigna: a caridade não é invejosa: a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita,, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca falha: mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado... “  
           A produção intelectual que ainda hoje manifesta intenção de enfraquecer a Caridade e a Jesus Cristo,  é instrumento político que visa desgastar e fazer ruir a Civilização Cristã Ocidental e, como consequência,  o Cristianismo em todos os cantos da Terra. No entanto, diferentemente de outras doutrinas e civilizações, na maioria das vezes, com base na Caridade, no Perdão, no Amor ao Próximo, na Tolerância de não julgar, e, principalmente, na fé e esperança de conversão e aprimoramento humano interior como ação da própria Doutrina Cristã, têm-se tolerado manifestações contrárias a Cristo. Entretanto, certas manifestações, que aparentemente se sustentam na Liberdade de Expressão,  têm  se mostrado de insuportável selvageria até mesmo para os que não são Cristãos.

                                                         Valionel Tomaz Pigatti(PIGATTI, V, T.)
São Paulo- 2013/14

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Antes disso tudo sou Homem. A DIVERSIDADE CULTURAL



Antes disso tudo sou Homem...
D I V E R S I D A D E

                     A globalização e o estreitamento das relações humanas  proporcionada pela internet nos possibilita o conhecimento, quase que instantâneo,  de toda a atividade humana onde há essa tecnologia no globo terrestre. A compreensão  da  Diversidade  Animal, Vegetal,  Geográfica, Topográfica e Humana do Planeta Terra, exige reflexão sobre a necessidade de respeitar  outros  habitantes que possuem  características diferentes da minha ou da tua. No meu caso, essa constatação faz-me  reconhecê-los, mas também trabalhar para que os outros habitantes do planeta, e mesmo os que vivem no território onde estou estabelecido, respeitem-me e a história dos meus ancestrais. Nascido e vivendo em São Paulo, Brasil, me esforço para que os outros respeitem o que fui, o que sou, o que pretendo ser. Aqui na América do Sul, no Brasil, em São Paulo, na capital, essa diversidade é muito próxima, pois está onde residimos,  no vizinho, nos transeuntes, no transporte coletivo. No entanto, a diversidade  não é reconhecida no sistema educacional, na produção acadêmica e intelectual nacional,  como também não é reconhecida na organização política e administrativa do Estado Brasileiro. Para nós, latinos americanos de origem europeia não portuguesa estabelecidos no Brasil, a questão da diversidade deve ser focada a partir do nosso próprio  olhar. Portanto, a diversidade, para nós,  deve ser vista de forma diferente de como a observa ou são levados a observá-la aqueles que estão em outros países, como, por exemplo,  os  asiáticos, os africanos e os europeus. Não podem nos entender os que nos querem  classificar a partir de  seus países de origem onde a população é milenar e homogênea. Não podem nos classificar os que se valem   dos catálogo de publicações oficiais das embaixadas do governo e de instituições públicas brasileiras.  Os intelectuais de outros países não podem continuar generalizando como se no Brasil todos imigrantes tivessem a identidade ancestral totalmente diluída na cultura que os recepcionou, principalmente agora em que se dá o estreitamento das relações pela globalização e internet.
                                      Exigir o reconhecimento da diversidade aqui no Brasil é  prioridade devido o vasto território federativo e a quantidade patente de diferenças culturais e étnicas entre os indivíduos que compõem a população do território nacional. Não trato aqui neste texto das diferentes opções sexuais ou de gostos específicos de públicos consumidores, mas sobre as diferenças culturais, geográficas, climáticas e étnicas. Por isso é importante exigir o reconhecimento dessas diferenças e o direito de preservar a história e a característica cultural de cada qual. Esse exercício de preservação cultural nos mantêm íntegros e nos protege dos projetos totalitários de ideologias que pregam a uniformidade, pasteurização ou a preponderância deste tipo sobre aquele outro ou mesmo dos que se julgam proprietários da identidade brasileira ou de conceitos culturais sustentados na miscigenação ou ainda dos que reclamam direito histórico de primeiros colonizadores. Os espaços para a imposição dessas ideologias totalitárias tem diminuído  devido a globalização e o rompimento das fronteiras físicas causado pelo desenvolvimento da internet. Diante desse novo quadro, empenho-me, tanto de forma física quanto de forma intelectual, a trabalhar  para que a diversidade sob o foco cultural e étnico seja uma realidade compreendida, exercitada e respeitada  entre os homens, deles para com as mulheres, de todos para com  as crianças e para a natureza e os animais. Deve haver respeito entre  a natureza territorial de cada grupo ainda que abstrata ou ainda que um esteja territorialmente distanciado  do outro, considerada as características específicas da natureza geográfica de cada localidade.
                                Aqui no Brasil, a convivência entre os diferentes  deve se pautar em trocas e permutas cotidianas, pois que  conviver reconhecendo os outros e as características que nos diferem  é  reconhecer a si mesmo, é exigir a contrapartida. Esse reconhecimento é o que pode dar continuidade estável ao acordo federativo brasileiro.  Ao reconhecer o Belo na natureza biológica, paisagística, geográfica em que o outro está inserido estamos , ao mesmo tempo,  exigindo que o reconhecido também nos reconheça e tudo o que  está vinculado a nossa história. Portanto, somente reconheço aquele costume  ou aquela manifestação desde que a existência da mesma não cause danos ou a destruição de outros seres vivos diferentes, de culturas diferentes, enfim;  à diversidade. Desta feita posso afirmar que não me comporto e não me confundo com o relativismo utilizado pela antropologia,  já que não sou neutro ao reconhecer o diferente, pois somente reconheço se for reconhecido.
                            O reconhecimento  deste ou daquele gosto, deste ou daquele costume, deste ou daquele folclore, desta ou daquela manifestação cultural  só pode ser exercitado com consistência e  profundidade por quem tem identidade própria. Pois somente pode respeitar o outro  aquele que não é vazio, mas que tem conhecimento  da sua própria identidade, sua própria história, da sua própria trajetória. Somente os que detém a consciência  de se reconhecer é que podem colaborar no contexto da diversidade. Somente quem se identifica dentro do seu  próprio contexto cultural ou histórico pessoal e coletivo pode  exigir e lutar por esse reconhecimento em contexto diverso  de cultura e de educação promovida por este ou aquele Estado nacional. Não há, portanto, espaço para o uso do distanciamento do pesquisador antropológico, pois se trata de ação de quem foi inserido, age e também se expressa,  julga e manifesta valor que deseja ver reconhecido pela realidade, mesmo naquela realidade que já existia antes mesmo de ser inserido nela. 
                            A diversidade só pode se manifestar e ser respeitada em  País cujo sistema seja democrático e descentralizado,  que se assente em conceitos federativos e que produza, intelectualmente e na prática, os elementos da diversidade que configuram sistema federativo e multicultural. É necessário  que o Sistema de Educação em  país federativo e multicultural, de grande ou pequenas proporções,  atenda essas especificidades, democratizando os conteúdos das matérias escolares para  atender a diversidade  e satisfazer todas as realidades regionais e locais.  Assim pode-se dizer que não é o Estado Nacional que deve ser reconhecido e preservado, mas sobremaneira o Estado Nacional é que deve reconhecer os indivíduos. O Estado Nacional é a contemplação e a garantia da diversidade. Portanto, a diversidade é o principio da produção econômica, da geração de emprego e do desenvolvimento humano.
                           Para  alcançar esse objetivo  é necessário exigir dos países recentemente colonizados do continente americano, bem como dos de grandes dimensões territoriais de impérios tradicionais que reúnem em seu território varias nações, tanto na Europa quanto na Ásia, que os instrumentos tecnológicos de industrialização, promoção, distribuição e arrecadação  que lidam com a educação e a cultura sejam democratizados, distribuídos e colocados a serviço da diversidade abrigada em seu  território. Somente através da descentralização político-administrativa, representativa e econômica do poder é que se criará um novo conceito de Estado Nacional sustentado na diversidade. Nele poderá se exercitar o respeito e  a dignidade ao indivíduo e se estabelecer um novo momento para a Civilização Ocidental Cristã,  seu  aprimoramento no mundo e, em especial, para a emancipação das  Américas. 

                                                                                       Valionel Tomaz Pigatti (Léo Tomaz) (PIGATTI, V, T.)


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA: Para quê serve?


( RECUPERANDO A AUTO ESTIMA)

São Paulo, janeiro de 2013
Valionel (Léo Tomaz)

Política cultural  para brasileiros e  cidadãos de outras partes do mundo que residem na cidade de São Paulo.

Apresentação:
            Com a experiência adquirida em dezenas de anos no exercício de atividade cultural na cidade de São Paulo e na troca de informações com outras realidades que também exercitaram a criação, produção e manifestação na área da cultura, apresento uma análise crítica,  propondo, a partir dela,  uma alternativa administrativa com a qual   acredito tornar mais vigorosa, mais saudável a coexistência municipal e  urbana dos paulistanos e de outras  cidades. 
                         Obviamente que há o cidadão que pertencendo a uma classe social privilegiada, sob o ponto de vista institucional, que busca, através do Estado,  se apoderar dos recursos destinados a indústria cultural. Esse cidadão de ensejos cosmopolita não possui relações horizontais com as realidades locais, fato que o torna mais distante quanto mais estiver vinculado a ideologias de cunho internacionalista.  
                       Por outro lado há, em maior número, o  cidadão  comum que se difere em suas relações com o mundo e com a realidade  do supracitado. O cidadão comum se espelha na valorização daquilo que são seus símbolos mais próximos como a sua família,  parentela, seu trabalho, sua habitação, seus vizinhos,  sua opinião diante dos acontecimentos do dia a dia, seu gosto, sua história. O cidadão ativo, participativo e que se manifesta artisticamente ou como colaborador  em sua comunidade depende do reconhecimento das manifestações artísticas que representam sua realidade mais imediata como, por exemplo,  a poesia, a música, a literatura, a pintura, o cinema, o time de futebol e tudo mais que envolve a estética local.  Diante do crescimento populacional das urbes, os bairros tornaram-se verdadeiras cidades. Embora situados dentro do contexto geral de uma cidade ou de um país,  muitos bairros possuem características próprias quanto ao tipo de população, costume e chegam a ser  economicamente auto suficiente. 
                       No entanto as manifestações artísticas e intelectuais locais, da sua cidade, do seu bairro, não são contempladas nos livros da vida escolar de seu município, na mídia aberta que ele acessa, nos equipamentos públicos da esfera municipal e estadual como teatros, museus, fundações, enfim, tudo que recebe dinheiro público  do município e do estado e  que se localizam fisicamente em sua cidade.  Embora estejamos na primeira metade do Século XXI, ainda pertencemos a um período  em que  as estruturas do pensamento unidimensional, centralizador, monopolizador e mitificante que dominaram a vida cultural e política do século XX, persistem. Ideologias as quais,  entre outras coisas,  pretenderam também no Brasil, definir paradigma de etnia nacional, identidade cultural nacional, objetivando a instalação de um estado único com poder concentrado em Brasília. Com a derrocada dos discursos de cunho fascista  de esquerda e de direita que sucumbiram com o fim da Guerra Fria e a derrubada do Muro de Berlim,  cresce o desejo de se manifestar que vem sendo alimentado no reconhecimento da diversidade e na retomada  de reflexões sobre o sistema federativo, na descentralização do poder central. Esse desejo participativo e descentralizador colide  com o controle corporativo e monopolizador de mercado nacional que alimenta a mídia e a indústria de mercadoria cultural. O desejo participativo e descentralizador foi premiado  com o surgimento das redes sociais e das mídias digitais  globalizadas.
          Somado a esse processo globalizador da economia e das mídias digitais, o desejo participativo e descentralizador exige o direito de produzir e se relacionar com o mercado de consumo local, ou melhor, de consumir seus próprios bens locais, de romper  e estender fronteiras da identidade local compondo com outras realidade ou com quem a desejar em qualquer canto do planeta, respeitando e reconhecendo a diversidade. Porém, para que isso ocorra, é necessário construir e colocar instrumentos  legais para a proteção e interação dos indivíduos locais. É com isso  que o cidadão se tornará  mais participativo e cuidadoso com os bens públicos, avançando na edificação de uma cidade, cuidando dela,  com  qualidade de vida, tornando a coexistência municipal e urbana das ruas, dos condomínios e das vizinhanças mais vigorosa, mais saudável. 
                 A exposição pública desse texto através das redes sociais espera pela colaboração de ideias dos simpatizantes, dos que estiverem interessados em construírem um momento novo, tanto no que se refere a manifestação cultural, bem como a sua relação como mercadoria e dessa com o mercado.  Aos que são contrários a essa proposta não interessa nem mesmo o debate, mesmo porque esse trabalho, em si, já define a linha divisória, já identificou o oposto e, portanto,  estabelece e propõem através da síntese. Em nenhum momento o texto questiona o público consumidor, sua preferência ou a qualidade da mercadoria que consome. Portanto, esse trabalho não requisita avaliação do consumidor. Pode, em última análise, ser considerado uma divagação solitária, o cumprimento de uma obrigação de cunho eminentemente pessoal do autor.
Vejamos:
          A Produção universal da indústria de mercadorias culturais ou da indústria de entretenimento cultural tem seus próprios sistemas de promoção, veiculação, distribuição e arrecadação em todos os países, tanto nos da América Latina quanto nos da África, bem como nos outros países do terceiro mundo e mesmo nos que se dizem em desenvolvimento. Embora isso ocorra sem alardes por estar incorporado aos conceitos culturais, econômicos e políticos, a Indústria da Mercadoria Cultural não deveria ocupar os espaços e verbas das secretarias de cultura dos municípios cujos recursos, na sua grande maioria, deveriam ser destinados à manifestação cultural dos munícipes. É para os munícipes que a gestão cultural pública municipal deve transferir o suporte tecnológico, material, financeiro e gestor. O que ocorre é o contrário na medida em que os funcionários e produtos dessa indústria nacional e multinacional de mercadoria cultural, que embora  assimilados pela manipulação da mídia e pela inexistência de oportunidades,  são estranhos ao corpo social e econômico do dia a dia da realidade local.
              A prática de uma gestão de política cultural subserviente aos interesses das indústrias de fabricação de mercadorias culturais de origem nacional, multinacional ou transnacional, tem desprezado e marginalizado a produção cultural em todas as formas de manifestações artísticas dos cidadãos que residem e trabalham em municípios a exemplo do que ocorre em São Paulo.

... DISTRIBUIÇÃO DE OPORTUNIDADES...

                  Em São Paulo, como para outras cidades,  cada região deveria ter um papel participativo não apenas como mercado de consumo da indústria de entretenimento, mas como produtor de cultura local e assim contribuir na processo de afirmação e inclusão que é apontado pela UNESCO como o modelo  a ser seguido pela  Educação do Século XXI. Dessa forma  se estaria edificando a convivência na diversidade representada pelo conjunto das diferentes realidades que compõem o conjunto da sociedade brasileira.
                Cabe à administração pública municipal aparelhar os artistas criadores e intelectuais voltados para essas questões e consolidar no município uma indústria cultural, objetivando a democratização de oportunidades, a distribuição da economia, o combate a pobreza física e ética. Na esperança de dias melhores,  cabe à democratização das oportunidades reduzir o desemprego, a violência, reforçando a estima do munícipe, influenciando na competitividade sadia,  na distribuição de renda, no aquecimento da economia e na arrecadação de impostos. 
                         Em meio a corrupção econômica e dos valores éticos que marcam a realidade institucional, a recuperação da autoestima é uma ação que pode colaborar eficientemente para reduzir a violência, na medida em que aguça  os interesses e o cuidado do cidadão com o que é coletivo, próximo,  público e seu. Ele precisa se identificar com o que  usa, com o que  está mais próximo de si, com o que tem de comum com seu vizinho. Isso ocorre quando a manifestação dos elementos materiais e abstratos da identidade local são viabilizados, quando se exercita  o respeito próprio  e pelas outras manifestações de ordem universal
                   O poder público municipal reúne, através de arrecadação de impostos da atividade econômica local, os recursos financeiros e materiais que deveriam ser colocados a disposição do munícipe artista-criador ou intelectual que reside no município. Refiro-me aos recursos tecnológicos que são utilizados pela indústria cultural universal como, por exemplo, o sistema de produção, reprodução, promoção e veiculação midiática, distribuição e arrecadação dos lucros da obra artística, intelectual e cultural. Profissionalizar o artista-criador, o intelectual de seu município, escrevendo, oficializando, registrando e reproduzindo sua obra é o papel que se espera hoje de uma Secretaria de Cultura Municipal.  Porém, se o município não o faz para o munícipe, o faz para quem? E se o faz para outro, o faz com que justificativa estética e econômica? O faz com qual objetivo político eleitoral ou ideológico?
                    Ainda em relação a impostos arrecadados pelo município de São Paulo, assim como fazem outras cidades de outros estados, qual é o percentual desses impostos que volta para a população que o produz?  A União sob efeito das ideologias do século passado avança sobre todas as atividades sociais como se fosse uma grande prefeitura. E é com parte desse dinheiro enviado pelo município ao governo da União  que ela, em nome de uma cultura brasileira,  paga artistas e promove eventos culturais internacionais em embaixadas, muitos dos quais sequer chegam ao conhecimento da população. Ninguém tem  dúvida de que  há uma concentração de riqueza por parte de grupos organizados de artistas. Ocorre ainda que uma administração pública municipal, através de eventos, shows, datas comemorativas, livros escolares, direitos autorais etc, transfere recursos municipais para os mesmos artistas que já se beneficiam das verbas do Estado,  da União e dos meios de comunicação, alimentando uma rede de interesses e favores políticos que tem como meta somente o enriquecimento econômico de um determinado grupo de indivíduos.  
           Esse processo de monopólio e exploração de mercado também se estende às obras intelectuais no campo da educação, história, geografia, literatura entre outras. Uma Secretaria Municipal de Cultura só se justifica se facilitar as produções que tenham enfoque municipal para que elas façam parte do currículo da rede pública de educação do município, colaborando na formação da identidade local em conjunto com a Secretária Municipal de Educação.          
           Sob o ponto de vista da História e da cultura, se no século passado enfatizou-se o Nacional  no currículo escolar  sob a inspiração de ideologias baseadas nas ditaduras de esquerda e de direita, o fracasso da prática com essas ideologias aponta para a necessidade de instrumentos que viabilizem a participação da identidade  regional,  municipal e até mesmo dos bairros tradicionais já solidificados nas cidades. As secretarias de cultura municipais devem servir para gerir e organizar a produção cultural e o mercado de consumo para seus munícipes, colaborando para a construção da autoestima do indivíduo e, com isso,  a melhoria da qualidade de vida das urbes.

                                                                                       Valionel Tomaz Pigatti (Léo Tomaz) (PIGATTI, V, T.)