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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

DISCURSO DE VITORIA DE JAIR BOLSONARO NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 28 DE NOVEMBRO DE 2018 NO BRASIL. PONTOS QUE DEFINEM A LINHA POLITICA.

DISCURSO DE VITORIA DE BOLSONARO BRASIL, 28 DE NOVEMBRO DE 2018.
PONTOS QUE DEFINEM A LINHA DE ATUAÇÃO POLITICA.

"Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.

Nunca estive sozinho. Sempre senti a presença de Deus e a força do povo brasileiro.

Orações de homens, mulheres, crianças, famílias inteiras que, diante da ameaça de seguirmos por um caminho que não é o que os brasileiros desejam e merecem, colocaram o Brasil, nosso amado Brasil, acima de tudo.

Faço de vocês minhas testemunhas de que esse governo será um defensor da Constituição, da democracia e da liberdade. Isso é uma promessa não de um partido. Não é a palavra vã de um homem. É um juramento a Deus.

A verdade vai libertar este grande país, e a liberdade vai nos transformar em uma grande nação.

A verdade foi o farol que nos guiou até aqui e que vai seguir iluminando o nosso caminho.

O que ocorreu hoje nas urnas não foi a vitória de um partido, mas a celebração de um país pela liberdade.

O compromisso que assumimos com os brasileiros foi de fazer um governo decente, comprometido exclusivamente com o país e com o nosso povo --e eu garanto que assim será.

Nosso governo será formado por pessoas que tenham o mesmo propósito de cada um que me ouve neste momento: o propósito de transformar o nosso Brasil em uma grande, livre e próspera nação.

Podem ter certeza de que nós trabalharemos dia e noite para isso. Liberdade é um princípio fundamental: liberdade de ir e vir, de andar nas ruas, em todos os lugares deste país, liberdade de empreender, liberdade política e religiosa, liberdade de informar e ter opinião. Liberdade de fazer escolhas e ser respeitado por elas.

Este é um país de todos nós, brasileiros natos ou de coração. Um Brasil de diversas opiniões, cores e orientações.

Como defensor da liberdade, vou guiar um governo que defenda e proteja os direitos do cidadão que cumpre seus deveres e respeita as leis; elas são para todos. Porque assim será o nosso governo; constitucional e democrático.


Acredito na capacidade do povo brasileiro, que trabalha de forma honesta, de que podemos juntos --governo e sociedade-- construir um futuro melhor.

Esse futuro de que falo e acredito passa por um governo que crie as condições para que todos cresçam. Isso significa que o governo federal dará um passo atrás --reduzindo a sua estrutura e a burocracia; cortando desperdícios e privilégios, para que as pessoas possam dar muitos passos à frente.

Nosso governo vai quebrar paradigmas: vamos confiar nas pessoas. Vamos desburocratizar, simplificar e permitir que o cidadão, o empreendedor, tenha mais liberdade para criar e construir e seu futuro.

Vamos "desamarrar" o Brasil.

Outro paradigma que vamos quebrar: o governo, de verdade, a Federação. As pessoas vivem nos municípios; portanto, os recursos federais irão diretamente do governo central para os estados e municípios. Colocaremos de pé a federação brasileira. Nesse sentido é que repetimos que precisamos de mais Brasil e menos Brasília.

Muito do que estamos fundando no presente trará conquistas no futuro. As sementes serão lançadas e regadas para que a prosperidade seja o desígnio dos brasileiros do presente e do futuro. Esse não será um governo de resposta apenas às necessidades imediatas.

As reformas a que nos propomos serão para criar um novo futuro para os brasileiros. E quando digo isso falo com uma mão voltada para o seringueiro no coração da selva amazônica e a outra para o empreendedor suando para criar e desenvolver sua empresa. Porque não existem brasileiros do sul ou do norte. Somos todos um só país, somos todos uma só nação!

Uma nação democrática!

O estado democrático de direito tem como um dos seus pilares o direito de propriedade.

Reafirmamos aqui o respeito e a defesa deste princípio constitucional e fundador das principais nações democráticas do mundo.

Emprego, renda e equilíbrio fiscal: é o nosso compromisso para ficarmos mais próximos de oportunidades e trabalho para todos.

Quebraremos o círculo vicioso do crescimento da dívida, substituindo-o pelo círculo virtuoso de menores déficits, dívidas decrescente e juros mais baixos.

Isso estimulará os investimentos, o crescimento e a consequente geração de empregos. O déficit público primário precisa ser eliminado o mais rápido possível e convertido em superávit.

Este é o nosso propósito.

Aos jovens, uma palavra do fundo do meu coração: vocês têm vivido um período de incerteza e estagnação econômica. Vocês foram e estão sendo testados a provar sua capacidade de resistir. Prometo que isso vai mudar. Esta é a nossa missão. Governaremos com os olhos nas futuras gerações e não na próxima eleição.

Libertaremos o Brasil e o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico a que foram submetidos nos últimos anos. O Brasil deixará de estar apartado das nações mais desenvolvidas.

Buscaremos relações bilaterais com países que possam agregar valor econômico e tecnológico aos produtos brasileiros. Recuperaremos o respeito internacional pelo nosso amado Brasil.

Durante a nossa caminhada de quatro anos pelo Brasil, uma frase se repetiu muitas vezes: "Bolsonaro, você é a nossa esperança".

Cada abraço, cada aperto de mão, cada palavra ou manifestação de estímulo que recebemos nesta caminhada fortaleceram o nosso propósito de colocar o Brasil no lugar que merece.

Nesse projeto que construímos, cabem todos aqueles que têm o mesmo objetivo que o nosso.

Mesmo no momento mais difícil desta caminhada, quando, por obra de Deus e da equipe médica de Juiz de Fora, ganhei uma nova certidão de nascimento, não perdemos a convicção de que juntos poderíamos chegar a esta vitória.

É com esta mesma convicção que afirmo: ofereceremos a vocês um governo decente, que trabalhará, verdadeiramente, para todos os brasileiros.

Somos um grande país, e agora vamos juntos transformar esse país em um grande nação. Uma nação livre, democrática e próspera!

BRASIL ACIMA DE TUDO,

DEUS ACIMA DE TODOS!"

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

MONOPÓLIO DA FORMAÇÃO DE OPINIÃO PÚBLICA DA MÍDIA TRADICIONAL E A CRISE COM AS REDES SOCIAIS.

                                                                                                                                  (PIGATTI, V, T.. 2017)
              O ano de 2016 foi fundamental para a mudança de paradigma político e cultural no Brasil. Grande parte da população brasileira engrossou as manifestações de rua e contribuiu para desmitificar a retórica dos partidos de esquerda ou grupos de influência marxista que alcançaram o poder nos últimos 30 anos. Durante essas três últimas décadas alguns poucos amigos estiveram comigo experimentando conflitos intelectuais e culturais com esses grupos ideológicos marxistas que se organizaram em um partido de esquerda para, através dele, chegarem ao poder político, administrativo e econômico no Brasil. Por conta disso sofremos retaliações profissionais e, consequentemente, econômicas por parte das organizações públicas e privadas alinhadas á retórica dos marxistas.  O projeto de poder dessa esquerda se apoiou em retórica que abrangia diversos segmentos sociais. Hora os marxistas se mostram liberais, hora marxistas, populista ou socialista e em outro momentos assimilam o discurso  do segmento católico apostólico romano latino-americano.
           Desde o final da década de setenta sentimo-nos cercados por todos esses campos de retórica. Elas colidiam frontalmente com a nossa atividade cultural, intelectual, política e econômica. Por serem orgânicos e nós alternativos,  sofremos toda sorte de perseguição velada que nos infringiu danos familiares e pessoais. Por não haver alinhamento com os interesses políticos e ideológicos com esse grupo de poder,  fomos excluídos do mercado de trabalho como profissionais de comunicação e de criação cultural. Para melhor compreensão das perseguições que sofremos, cito, a seguir, o período da luta pela democratização dos meios de comunicação de rádio e televisão do qual participamos pragmaticamente, atividade que culminou com  destaque social  e político nos anos 90. 
          No Brasil, desde a década de 50 do século XX, as concessões para exploração de rádio e televisão, estavam concentradas nas mãos de políticos, da igreja Católica Romana e de uma dezena de famílias ligadas, direta ou indiretamente, a política institucional do Governo Federal. Era, portanto, impossível se expressar através de meio de comunicação de rádio e televisão. Para exercitar nossas próprias concepções políticas, bem como nossa criação artístico-cultural, restava-nos romper o cerco institucional das concessões. Mesmo nos canais de comunicação públicos/governamentais que deveriam inserir a população sem expressão na mídia privada, nos deparamos com o aparelhamento de partidos que promoviam cerceamento ideológico cultural através da esquerda acadêmica alojada organicamente ou por simpatia a retórica do referido grupo de poder.
             Para superar essas barreiras, montamos em 1986 um centro cultural autogestionário que ficou conhecido como Casa de Cultura Reversão. Dois anos depois, em 1988, sob minha responsabilidade, montamos e fizemos funcionar, dentro da Casa de Cultura, a Rádio Livre Reversão, emissora de rádio de baixa potência, sem que a mesma tivesse qualquer permissão institucional.
Com programação que negava os padrões culturais institucionalizados, bem como a mercadoria da industria cultural de entretenimento  e as manifestações artísticas orgânicas da esquerda, a Rádio Livre Reversão funcionou até o dia 9 de abril de 1991 quando a Casa de Cultura e o estúdio foram invadidos em ação conjunta da Policia Federal com o Ministério das Comunicações. Esta ação do Governo Federal  tinha por finalidade prender-me e confiscar todos os equipamentos daquela pequena emissora. Por três anos respondi a processo na Justiça Federal até que fui absolvido  em 1994, recebendo de volta todo o equipamento da rádio que havia sido confiscado pelo Governo.
Carreata em plena Avenida Paulista em protesto pela
ação do Ministério das Comunicações que fechou
da Rádio Livre Reversão em abril de 1991.
          O fato de ter sido absolvido no processo judicial do Governo Federal resultou, em consequência, no surgimento de milhares de pequenas emissoras que se instalaram pelo vasto território do Brasil sem que, para isso, tivessem permissão legal para tal exercício. Essa situação de desobediência civil obrigou o próprio Governo Federal a regulamentar o funcionamento de emissoras de baixa potência no Brasil no ano de 2001. Essa regulamentação foi estabelecida para evitar que esse tipo de atividade nos meios de comunicação de Rádio e Televisão de baixa potência e sem permissão federal fosse mantido com amparo na jurisprudência criada pela Rádio Livre Reversão, quando da  absolvição e, consequentemente,  reintegração legal de posse do transmissor e outros equipamentos. Considere-se ainda que a Rádio  Livre Reversão volta a funcionar no dia 9 de abril de 1995, permanecendo no ar  prosseguiu até o ano de 1996, quando encerramos o seu funcionamento por livre espontânea vontade .
       A apreensão da Rádio Livre Reversão foi noticia em grande parte da mídia diária de jornais escritos, rádio e televisão, com exceção das mídias ligadas a Rede Globo. O fato despertou a opinião pública para a causa da Democratização dos Meios de comunicação de Rádio e Televisão. Tal publicidade fez com que surgissem iniciativas de partidos políticos de esquerda que, na forma de associações e foro, se organizaram para representar, intermediar e controlar essa bandeira de luta. Sob a influência dessas associações, dos foros, das organizações patronais e de setores da igreja católica envolvidos com comunicação, foi confeccionado o projeto de regulamentação da atividade de emissoras de baixa potência dando a elas o título de Rádios Comunitárias.
O objetivo era anular as iniciativas pautadas na jurisprudência criada pela absolvição da Rádio Livre Reversão. Ao final, o projeto aprovado pelo Governo Federal transformando rádios livres em rádios comunitária tirando dessa atividade a capacidade de interferir na mercadoria oferecida pelo monopólio ao mercado local. Essa mudança de paradigma de Livre para Comunitária permitiu que rádios comunitárias se transformassem em aparelhos políticos, premiando com concessões as associações alimentadas e preparadas com a retórica dos grupos de apoio aos partidos de esquerda que objetivavam e, por fim, alcançaram a administração do poder federal no Brasil, ´primeiramente com FHC e, na sequencia, com Lula. A regulamentação destruiu de vez as possibilidades do exercício da liberdade de expressão sem controle legal e da autorregulamentação proposta pela Rádio Livre Reversão. 
          Contrariando o Pacto de São José da Costa Rica, (1969), do qual o Brasil foi signatário, a regulamentação federal sobre exploração de rádio de baixa potência promulgada pela Lei Nº 9.612, de 19 de Fevereiro de 1998, assinada por Fernando Henrique Cardoso, vestiu camisa força na liberdade de expressão. A luta pela democratização dos meios de comunicação que exercitamos com êxito através da Rádio Livre Reversão começou a se esvaziar. Se por um lado a Rádio Livre Reversão nos tornou vencedores, por outro lado nos colocou na lista negra dos ativistas sociais que passaram a ser cerceados em atividade profissional que envolvesse comunicação e cultura. 
         O esvaziamento da luta pela liberdade de expressão na democratização dos meios de comunicação foi causado, estrategicamente, pelos setores politicamente organizados da sociedade cujo projeto principal era chegar ao comando do Governo Federal. Esse projeto de poder  das esquerdas com a igreja católica romana latino americana se  consolidou, de fato,  em 2003 com a eleição de Lula para presidente da república colocando o Partido dos Trabalhadores no comando das instituições brasileiras. A liberdade de expressão, a democratização dos meios de comunicação e o exercício livre da comunicação pela Rádio Livre Reversão não atendiam o projeto do Partido dos Trabalhadores na sua estrategia ideológica de controle político e econômico do Estado Brasileiro. O projeto do Partido dos Trabalhadores, a exemplo do que ocorreu na Venezuela e na Bolívia, era ficar no poder por tempo indeterminado. Por conta disso, qualquer manifestação que pudesse ameaçar a estratégia de poder do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, foi esvaziada, como ocorreu com o movimento pela democratização dos meios de comunicação de rádio e televisão e com a luta pela liberdade de expressão que envolveu a Rádio Livre Reversão. No entanto o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores e aliados, o qual foi finalmente alcançado em 2003 e que causou tantos danos durante todos esses anos, encerrou-se oficialmente em 2016 com o impeachment da sucessora indicada por Luis Inácio Lula da Silva.
        O esvaziamento da causa que envolvia Liberdade de Expressão e democratização da industria de mercadoria cultural,  foi promovido pelo Partido dos Trabalhadores e aliados de esquerda. No entanto,  não podemos deixar de apontar a conivência e participação do capital empresarial detentor das mídias e da mercadoria de divertimento cultural. A mídia tradicional controlava a demanda do mercado consumidor, o controle da opinião pública, a publicidade privada e a institucional do território brasileiro. O capital agiu concomitantemente com a esquerda, tirando proveito das mesmas questões, embora se utilizando de estratégias próprias. Ao invés de quadro partidário, o capital pode contar com a fidelidade e interesses de seus próprios funcionários que gozam de altos salários e projeção social, trabalhando, em boa parte, para a empresa e para o Partido dos Trabalhadores e seus aliados. São esses funcionários os jornalistas, os trabalhadores em representação de personagens de novelas, os técnicos e serviçais de maneira geral.
        Quando já não se falava em Rádio Livre ou em Rádio Comunitária, quando o bojo dessa luta já havia se esgotado com o Partido dos Trabalhadores no Governo Federal e, consequentemente, quando os meios acadêmicos deixaram de manifestar interesse para formulação de teses e TCCs sobre esse tema, surge uma nova expectativa para a liberdade de expressão. Quando tudo parecia acabado,  um movimento novo e inusitado atravessa as fronteiras brasileiras, vindo do hemisfério norte, dando a luta pela Liberdade de Expressão uma vigorosa injeção de ânimo e a vitória incontestável.
       Surge a internet  que se torna um fato comparável a construção da prensa de tipos móveis de Gutemberg e das grandes navegações do século XV.  Junto com a internet, fenômeno tecnológico ocorre no inicio do século XXI, o conhecimento e as fronteiras são ampliados com a globalização. Esse processo é resultado da expansão tecnológica dos países desenvolvidos que mundializou novos parâmetros tecnológicos e econômicos após a queda do muro de Berlim em 1989 e o final da Guerra Fria.
     Com o passar dos anos a onda da globalização atinge  tardiamente o Brasil e os outros países subdesenvolvidos da América latina. No decorrer desse processo de globalização, chega ao território brasileiro as tecnologias de comunicação e informação digitais e com elas a internet. Aos poucos foi se consolidando, pela globalização e de fora para dentro do país, o novo processo de democratização da comunicação, da liberdade de expressão, da informação e do livre exercício da opinião pública através das redes sociais. Com a evolução da internet para as redes sociais, toda luta deflagrada, todo esforço empenhado e deslocado desde a implantação da Rádio Livre Reversão, em 1988, toda essa conquista havia sido substituída, tornada sem nexo, sem significado. Agora não se falava mais em meio de comunicação de rádio e televisão de baixa potência, em 50 ou 10 mil watts, pois a internet está a disposição de qualquer sujeito e o alcance é inimaginável. Nada  do que até agora fora feito possuía a dimensão, as características, a importância desse novo processo mundial que envolvia a liberdade de expressão. A tão sonhada vitória que se desejava alcançar pela liberdade de expressão através da democratização dos meios de comunicação de rádio e televisão estava, enfim, contemplada com a comunicação digital nesse novo momento da história dessa parte da humanidade desenvolvida. Por romper fronteiras e tornar o cidadão conectado com outros indivíduos de qualquer parte do planeta, a globalização retira das mãos de governos do terceiro mundo e dos projetos ideológicos totalitários o controle sobre a comunicação coletiva entre cidadãos e o controle sobre seu conteúdo.  Estabeleceram-se as redes sociais criando a possibilidade de enfraquecer o monopólio da retórica das mídias e o controle total das mesmas sobre a opinião pública. No terceiro mundo latino americano, a exemplo do Brasil, o sistema de comunicação sempre fora controlado por políticos, pela igreja católica e por poucas famílias que se apoderavam das concessões e, consequentemente, da opinião pública, como também da mercadoria cultural.
         As redes sociais deram vazão as opiniões, reflexões e ponderações acumuladas e silenciadas por décadas no isolamento imposto pelo monopólio que não permitia a consolidação de canais de comunicação livre e coletivo, ainda que de potência e abrangência insignificantes como as rádios e TVs livres. Com a chegada da internet foi possível tornar público e acessível a todas as pessoas, de todos os países e lugares, textos, poesias, estudos, opiniões, imagens, informações e toda sorte de publicações dos mais diversos enfoques ideológicos e conceituais. Através das redes sociais, deu-se vazão a opinião pública como nunca houvera ocorrido antes, até mesmo nos anos em que se falava diariamente através dos microfones da Rádio Livre Reversão para um publico estimado em trinta mil ouvintes. Nas redes sociais a expressão aprisionada ganhou liberdade, interlocução com respostas instantâneas, abrangendo toda sorte de indivíduos, sem nenhum vínculo orgânico com partidos, associações ou grupos organizados legalmente. 
    Outro fato importante foi a crise que se estabeleceu na atividade  de algumas profissões corporativas que intermediavam a relação entre a opinião pública e o poder político institucional, entre a informação e o vazio intelectual. Nesse caso a profissão de comunicador social, jornalista, em todas as suas especialidades, perdeu a importância na intermediação e representação da opinião pública. A globalização e as redes sociais colocaram os representantes do poder político institucional em contato direto com os cidadãos, desapoderando profissões e status, entre elas a dos jornalistas da imprensa escrita, mas também  redatores e âncoras  da televisão. Também na área da educação a profissão de professor foi descaraterizada já que o conhecimento está a disposição de qualquer um que pode alcança-lo em qualquer parte do mundo através das ferramentas de pesquisa e da digitalização e publicação virtual de todo tipo de informação, seja ela em áudio, vídeo ou escrita. Da mesma maneira a identificação de trabalhadores que fazem interpretação ou imitação de personagens nas novelas e no cinema, até então considerados artistas, tem seus dias contados. Ocorre que as novas tecnologias de informação e comunicação colocam a disposição do cidadãos até então  silenciados  todos os instrumentos tecnológicos para a confecção,  registro, edição e publicação de sons e imagens.
     No entanto, os valores comportamentais, de costumes, hábitos de consumo, valores éticos e morais que foram desestruturados ou introduzidos através do monopólio da mídia e do controle da opinião pública, nestes últimos trinta anos, migraram para dentro das redes sociais. Representados por sujeitos de faixa etária presumível, acima dos 40 anos de idade, esse grupo social tem encontrado dificuldades para lidar com a liberdade de expressão. No entanto o volume de informações com a marca da liberdade de opinião tem gerado mudanças até mesmo neste referido grupo, ainda que de forma paulatina. Ainda assim essas mudanças não desfazem a insegurança que esse grupo de indivíduos acumulou pelos anos de submissão ao sistema de produção de opinião/pronta do monopólio da mídia. É possível observar nas redes sociais grande quantidade de publicações de clichês ou frases prontas de autores de toda natureza e mesmo de "artistas" orgânicos mitificados pelo monopólio da mídia e usados no projeto de poder dos partidos da esquerda  marxista ou socialista. 
        Por outro lado, as redes sociais têm aproximado os sujeitos que foram silenciados,  ocultados e desprezados pelo monopólio. Esses indivíduos agora procuram uns aos outros e convergem para as mesmas preocupações. Romper com o silêncio foi o principal  motivo que nos levaram a edificar o projeto da Rádio Livre Reversão. A bem da verdade, a Rádio Livre Reversão alcançou projeção política social, mas não logrou exito de conteúdo cultural na disputa desproporcional com o monopólio. Diante disso pode-se afirmar que o encontro entre indivíduos silenciados com preocupações semelhantes não aconteceu antes da internet. Pois, mesmo com rádios e TVs livres, não poderiam conversar, se encontrar e construir o próprio discurso usando a tecnologia do rádio e da televisão onde somente  emissor  detinha e ainda detém o poder de comunicação. O atraso ocasionado pelo monopólio das comunicações e de formação da opinião que somado ao sistema educacional contaminado por teses marxistas que resistiram mesmo com o fim do Muro de Berlin,  deixam um legado que não desaparecerá nos próximos anos. Certamente, o resultado da falta de liberdade de expressão que submeteu gerações fará com que grande número de indivíduos  continuem carregando, manifestando e reproduzindo valores éticos, morais e culturais que lhes foram sedimentados pelo monopólio, seus profissionais e intelectuais orgânicos.
        Temas como corrupção, parlamento, justiça, violência e outros de ordem moral e ética passaram a ter voz nas redes sociais através da opinião pública até então silenciada. Se as manifestações da opinião pública silenciada foi fundamental para desconstruir a retorica esquerdista de poder, outros temas, que embora subjetivos dão sustentação a esse tipo de poder, continuam sendo usados e manipulados pelo monopólio e ignorados nas redes sociais. Questões como as que põem em público o controle do mercado cultural, da mercadoria de divertimento cultural, da representação sindical, do voto obrigatório, da inviabilidade ou não do pacto federativo, da multiplicidade de identidades regionais, do controle do conteúdo acadêmico, entre outros, não receberam ainda a mesma atenção. Talvez porque obedeçam ao processo natural de implosão por etapas que está em curso no atual momento histórico mundial e, consequentemente, brasileiro. 
        Estas questões, embora ocupem parte do conteúdo das redes sociais, são propositadamente ignoradas pelo monopólio que se ocupa das pautas das redes, mas enfatiza apenas o problema econômico e a corrupção com a intenção de não colaborar com mudanças culturais no sistema político e organizacional do estado brasileiro. O processo econômico e político representativo, o controle da informação e da opinião, prosseguem monopolizados e explorados institucionalmente como uma reação do que foi estabelecido há décadas às possíveis mudanças reclamadas pelas redes sociais.. 
       Governo Federal incompetente e corrupto sendo deposto, governador ladrão sendo preso, deputado ou senador sendo cassado e processado, todos são substituídos por outros da mesma cepa, dando continuidade ao mesmo processo.  Por décadas, partido político vem agindo como quadrilha legalizada, cartorial e de único proprietário, legislando em causa própria. Esse sistema se mantêm através do poder judiciário que permite a impunidade como  exercício político. Os processos dependem do tempo que levam para serem decididos e do comprometimento do juiz com esse ou aquele grupo político, com essa ou aquela corporação. Quando ocorre substituições, as mesmas  tem a função de estabilizar o sistema sem alterar privilégios. Embora de siglas diferentes, há interesses comuns de todas as agremiações partidárias que se confundem com quadrilhas legalizadas que desejam atacar os cofres das instituições públicas de forma legal e avalizada pelo voto popular. Certamente se tornou muito fácil e de pouco risco se organizar para assaltar o erário público. Os partidos agem como se fossem um cinturão de blindagem ao parlamento, tendo todos eles origem ideológicas semelhantes e a mesma base de formação cultural originária dos anos 70 e 80 do século XX. 
        Esse quadro projeta a ideia de que não haverá mudanças que possam solidificar novas propostas de recuperação da sociedade brasileira como um todo nacional, federativo, administrativo, representativo e democrático. Também não haverá paridade entre o país legal de funcionário público do alto escalão, de parlamentares e o restante da população que se sustenta na iniciativa privada ou através de atividades econômicas informais. Diante disso é possível supor que iniciativas que visam mudança desses valores culturais corruptivos, aéticos e imorais que identificam o Estado Brasileiro, deverão ceifar a energia de várias gerações se, por acaso, haver disposição e empenho delas em lograr êxito.(PIGATTI, V, T., 2017)

                                                                         Valionel Tomaz Pigatti (Léo Tomaz)
                                                                      Currículo Lattes:  http://lattes.cnpq.br/0781027245850748

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

A diferença de Caridade e solidariedade.

The difference of Charity and solidarity.
                                                                                    (PIGATTI, V, T., 2014)

               Sinto falta dos debates acalorados que se davam com amigos de posições divergentes e com os que somavam nas opiniões. Foi assim em muitas noites que se tornaram inesquecíveis e marcaram boa parte da história que ultrapassou um quarto de século de existência da Casa de Cultura da Reversão Paulistana. Os conflitos de ideias e de interpretações da realidade nos permitiram exercitar a reflexão preparando alguns para superar as decepções políticas e culturais desse início de século XXI aqui no Brasil. Pode não se enquadrar do ponto de vista da formalidade e da cientificidade, mas a Casa de Cultura da Reversão me pareceu, em alguns momentos, uma escola que oferecia curso Acadêmico pelo tanto que exercitei e aprendi. Obviamente que ao chegar à rua Hermilo Alves, 569, na Vila Ré, cada qual trazia consigo experiência, conhecimento, herança, vícios, influências e convivência.  A Reversão Paulistana permitiu esse exercício. 
               Para mim o complicado, o difícil no exercício de refletir sobre a realidade tem sido a necessidade de identificar, desopilar, limpar, desinfetar de meu próprio discurso os valores e interpretações que me foram introjetados através da educação e da cultura por esse ou aquele interesse ideológico,  político partidário, de grupos da Modernidade que preencheram o século XX na América Latina, especificamente na América de colonização portuguesa. Custou-me separá-los dos valores subliminares e atávicos que estavam embotados em mim e que me  foram transferidos por herança milenar de meus antepassados. Valores, esses, que embora estivessem adormecidos ou controlados pelo bombardeamento de interesses da educação e da cultura local, eram como reserva substancial para que, na medida em que os mesmos viessem à tona, fossem recuperados e reapresentados, propiciando-me identidade, coerência e a descoberta de mim mesmo. No momento em que esses valores que estavam embotados em mim foram aflorando, passei a enxergar, por eles, os instrumentos de manipulação no discurso e comportamento desse ou daquele sujeito, dessa ou daquela instituição política e social, bem como o que era e o que não era da minha essência. Por esses valores que resgatei consegui identificar discursos diferentes, mas que tinham a mesma base cultural, a mesma formação, resultantes dos mesmos interesses ideológicos, objetos da mesma estratégia de grupos de poder. Recuperando esses valores milenares que estavam em mim, desfragmentei-me, situei-me como indivíduo integro e milenar no contexto local e no planeta. Quando comecei a montar a Casa de Cultura da Reversão ao final de 1985, já havia me desvencilhado de boa parte das influências dos discursos políticos partidários que marcaram a década de setenta e que, ainda hoje, 2015, se mantêm vivos, na ordem do dia e no poder na América Latina. 
          Para exemplificar como os valores de minha herança cultural e milenar, me ajudavam a identificar o discurso estranho a minha realidade, vou discorrer sobre um fato que se deu no inicio dos anos 2000,  quando sentei ao lado de  um amigo no bar da Casa de Cultura e ele  se referiu ao escritor Eduardo Galeano que dizia assim: “Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas”. 
       Antes de prosseguir com a avaliação da afirmação desse escritor, acredito que não é intelectualmente saudável reproduzir ou mesmo ler o autor sem antes conhecer seu comprometimento, sua história pessoal, sua fonte política partidária e filosófica. Essa preocupação sobre o currículo e a história do autor cabe ao se ler Galeano para assim entendê-lo,  da mesma forma  deve ser feito com a minha história, já que passo a escrever sobre o que Galeano afirmou. É óbvio que reconheço a distância que nos separa na projeção social como escritores. No entanto, hoje já não tenho certeza se  possuo mais ou menos importância, se tenho mais ou menos conhecimento empírico ou intelectual, ainda que Galeano tenha se consagrado como escritor tanto para o mercado literário quando para os registros acadêmicos
              A obra  de Eduardo Galeano que se destacou é, sem dúvida, As Veias Abertas da América Latina. Nela esse autor analisa a História da América Latina argumentando contra a Europa e os Estados Unidos da América do Norte como sendo os exploradores econômicos e políticos do povo latino-americano. O autor  sempre fora  influenciado pela estratégia política e cultural da Internacional Socialista, organização política marxista que ainda nos dias de hoje exerce influência na produção literária do Brasil e de outros países do planeta. O livro de Galeano tornou-se um clássico entre os membros da esquerda latino-americana pró União Soviética ou pró Rússia, pró China, pró Albânia ou Cuba,. Esses países eram referências para os partidos comunistas espalhados pelo mundo e unidos na Internacional Socialista. Eram esses países com sistema de governo marxista que  influenciavam e financiavam economicamente atividades políticas dos partidos e grupos de esquerda marxistas por todo o planeta. A principio, e desde 1917, o financiamento e a promoção vinha da União Soviética que se desintegrou com a derrubada do Muro de Berlim em 1989.  Mesmo assim, muitos desses militantes formado antes da queda do muro de Berlim, como já anotei em outros ensaios, ainda hoje estão em atividade na vida pública, cultural e acadêmica da sociedade latino-americana. De formação marxista, Galeano era um deles. Ele trabalhou como editor do Jornal Marcha, semanário da esquerda uruguaia nos idos dos anos 60/70. 
           Sem deixar de respeitar o vasto trabalho de Galeano, atenho-me apenas a identificar os motivos ou a falta de motivos que levaram esse autor a optar por solidariedade em detrimento de Caridade. Certamente Galeano não se apoiou nos conceitos de "solidariedade mecânica e orgânica" que Émile Durkein conceituou no século dezenove. E mesmo que sustentado em Durkein, Galeano teria cometido erro de convencimento já que, atualmente, no inicio do século XXI, o embate entre ciência X religião que alimentou  a produção de intelectuais no conflito de interesses entre socialismo e capitalismo durante o século XX, já não tem importância política. Agora, no século XXI, Ciência e Religião são campos distintos e caminharão juntos, que um não afeta o outro.
         Primeiramente é preciso compreender que a Caridade para nós, Cristãos Ocidentais,  trata-se de um Dom de Deus, materializado na ação de Jesus Cristo através de sua Doutrina, responsável pela construção da ética e da moral do indivíduo ocidental (também de cristãos por todo o planeta) nestes últimos dois mil anos. A Caridade é a Perfeição e está ligada diretamente à figura de Jesus Cristo. Mesmo em dose homeopática, o exercício da Caridade sedimenta valores éticos e solidifica o respeito à Dignidade Humana. A Caridade habita no ser humano e é um instrumento de sobrevivência, exercitada mais comumente pelas mulheres. Manifesta-se em indivíduos espiritualmente sofisticados, que, por vários motivos, atuam onde a desigualdade entre os Homens se manifesta, quer por deficiência física e mental, por catástrofe natural, doença, incompetência, fragilidade e assim em diante. 
         Também o conceito de Igualdade, quando usado fora da Doutrina de Jesus Cristo e do campo espiritual,  só tem sentido político partidário e como retórica dialética. Serve na política administrativa  para que se aprimorem instrumentos sociais de natureza jurídica do Estado os quais regulamentam o acesso a Justiça, a Educação e afins. A igualdade, como resultado da mais valia, assentada na análise econômica e na divisão de classes, surgiu com o modo de produção da velha industrialização. No entanto a industrialização que se deu no século XIX e inicio do século XX já foi substituída por outra forma de produção. Atualmente o mundo se prepara para a Quarta Revolução Industrial onde a economia depende da presença de tecnologias digitais, mobilidade e conectividade entre pessoas, homens e máquinas, tendo a informação como valor central. Ocorre que mesmo diante desse quadro evolutivo da industrialização, grupos políticos partidário nos países democráticos em desenvolvimento, prosseguem com o uso do conceito de  Igualdade sob a ótica econômica marxista,  investindo nessa retórica com objetivo de alcançar o poder político e administrativo desses países. A retórica utilizada por Eduardo Galeano é influenciada pela velha industrialização que dividiu e monopolizou o mundo industrializado do século XX entre esquerda e direita.
              Esse suposto diferencial  retórico entre esquerda e direita foi responsável por grande parte da violência social que afligiu a humanidade durante todo o século XX deixando milhões de mortos pelo caminho. Por outro lado, registrou-se um período de grande avanço tecnológico e científico, bem como do aperfeiçoamento do exercício e da compreensão do  Cristianismo e do papel da religião. 
           É certo que em função da disputa que alguns países estabeleceram entre si na busca da hegemonia cultural , intelectual, política e econômica global,  tal como Solidariedade e Igualdade, outros termos passaram a ser utilizados como, por exemplo,  o "fraternidade". No entanto essas nomenclaturas são conceitos manuseados e desenvolvidos por corporações cujo objetivo é oferecer outras opções de retóricas ideológicas para grupos que também se ancoram no conceito de Igualdade ou que tem o mesmo matiz ideológico. Esses grupos assentam na mesma doutrina a construção de seu discurso político partidário, mas pertencem a organizações e estratégias diferentes. Esses conceitos vem desempenhando papel político desde a Revolução Francesa.
João Paulo II e Lech Walesa


               Como exemplo do uso político de "solidariedade"  como jargão, podemos citar a ida do papa João Paulo II à Polônia, país que estava sujeito a Rússia Soviética, cujo regime ideológico restringia a atividade religiosa. Em 15 de junho de 1983, o papa João Paulo II foi à Polônia, sua terra natal, levando apoio aos trabalhadores do Solidariedade, Solidarność em polonês, que se tratava de uma organização sindical presidida por Lech Walesa. Naquelaq circunstância a ida do Papa foi fundamental para a derrocada do paradigma da igualdade materialista da retórica Soviética que imperava na polônia e em outros países da Europa Central.  A ida do Papa à Polônia  fortificou e simbolizou a resistência ao colonialismo soviético/ateu para os poloneses e outros povos da Europa.
          Também em 1983 João Paulo II foi à Nicarágua, na América Central, e criticou publicamente o bispo Ernesto Cardenal que se apresentava como representante de Roma e apoiava explicitamente os sandinistas pró-soviéticos-cubanos. Isso demonstrou que a Igreja Católica Romana dirigida por João Paulo II era solidária com os portuários na Polônia que se rebelaram contra o colonialismo Russo/Soviético, mas não era solidária com o seu representante na Nicarágua que apoiava o colonialismo de Moscou,  comum entre sacerdotes  católicos de vários países latino-americanos. 
João Paulo II e Ernesto Cardenal
            Podemos observar também a opção cuidadosa que a Igreja Católica Romana na América Latina  deu aos jargões "Solidariedade e "Fraternidade". Basta lembrar, por exemplo, as campanhas da fraternidade que marcou a ação da CNBB - Confederação Nacional dos Bispos do Brasil- de 1991 a 2011, que nesse período influenciou toda a ação política e social no Brasil e, certamente, na América Latina. A aproximação da Igreja Católica Apostólica Romana com o campo socialista se deu através da Teologia da Libertação que trata-se de uma corrente teológica cristã nascida na América Latina, depois do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín (Colômbia, 1968). Esse movimento de origem Católica Romana  parte da premissa de que o Evangelho exige a opção preferencial pelos pobres e especifica que a teologia, para concretar essa opção, deve fazer uso das ciências humanas e sociais.  Dessa forma podemos entender os motivos políticos que levaram os bispos latino americanos a optarem por fraternidade ao invés de solidariedade como jargão.  Ocorre que  somada com a divergência ideológica interna quanto a ação de João Paulo II em relação ao colonialismo Russo/Soviético e à Nicarágua, os bispos brasileiros ao se aproximarem do campo marxista para ganhar autonomia em relação a Roma de João Paulo II e combater a expansão do protestantismo dos EUA e Inglaterra na América do Sul, optaram por  "fraternidade" como jargão da campanha da CNBB, Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil.
          Fato importante para o entendimento desse processo político ocorreu na greve do ABC em 1979, aqui em São Paulo, Brasil. O movimento grevista contou com apoio da CNBB que  alavancou a figura  Lula e do Partido dos Trabalhadores, oferecendo as comunidades eclesiais de base para organizar o Partido e, com isso, levando-os, Lula e o PT,  à presidência da República no Brasil. A população, de uma forma geral, se mobilizou para enviar alimento aos grevistas.  Na época muitos, como eu, participaram ativamente e emocionalmente disso. Inegavelmente boa parte da população demonstrou solidariedade aos trabalhadores fabris em greve no ABC, mas não à causa subliminar de viés ideológico ou para com a visão de mundo dos sindicalistas do ABC. Fomos solidários à distância, longe da verve ideológica marxista,. Essa posição demonstra que nem no ABC e nem em qualquer outro momento político  a Caridade se manifestou. Houve somente a manifestação de apoio  que se auto protege na desconfiança, que se entrega limitado e político na forma de  solidariedade.

            Obviamente que para a noção materialista do marxista Eduardo Galeano e, consequentemente, como ateu que era, a utilização do termo "solidariedade" como retórica de classe social torna-se um agregador político imediato, superficial e de fácil acesso,  podendo mudar uma situação política e de poder que dependa da opinião pública e do voto eleitoral. No entanto, por  modismo, desleixo ou falta de identidade histórica, Galeano comete erro condenador ao estabelecer juízo de valor entre Caridade e solidariedade,  objetivando anular a influência da doutrina de Jesus Cristo nos valores que mantêm unidas diferentes classes sociais. Ora,  é nítido perceber com profundidade que a Caridade tem sustentado a civilização ocidental e suas relações humanas há milênios e que somente a Caridade como Dom de Deus é transformadora e aprimoradora do indivíduo interior porque trata do Amor ao próximo. Ela estabelece critério de valor humano para as  relações sociais, tornando-se a base para o desenvolvimento ético, moral e espiritual  do Homem e de toda civilização humana.
             Com isso quero dizer que a Caridade está em plano superior, espiritual, que não pode ser questionado pela ciência e vice-versa, não é objeto de campanha ou de Partido Político porque não serve a esse propósito e não pode ser distribuída. A Caridade é valor intocável que identifica, de forma preponderante, o comportamento esperado do Homem quando este alcança o estágio mais desenvolvido dentro da Civilização Cristã Ocidental e de outras civilizações que se ancoram na Doutrina Cristã. A Caridade é instrumento de aprimoramento das relações éticas entre os indivíduos e da construção do caráter dos mesmos. Para tanto, não se deve aceitar, sem resposta, que alguém, por presunção intelectual, por ingenuidade, intenção ou comprometimento ideológico, trabalhe para dirimir a Caridade com intuito subjetivo de enfraquecer esse valor ético milenar que nos identifica e aprimora enquanto Civilização Cristã.
             A Caridade não desobriga o Estado, a Igreja e o cidadão de se preocuparem com a miséria humana e suas causas. Ela, a Caridade, no entanto, não depende do Estado, da Igreja, do cidadão, porque já está posta por Jesus Cristo e somente pode ser aprofundada na sua compreensão desde que não sirva como objeto de partidário político  ou corporativo. Ela, a Caridade, é percepção de cunho estritamente espiritual e individual se materializando somente em ações de indivíduo para com outro ou para com outros e não na ação de grupo fomentado por interesses econômicos ou políticos partidários ainda que assentado em princípios humanitários. Ela, a Caridade, pode ser desvelada, para nós, pelo contato direto com Jesus Cristo e mesmo por toda Igreja Cristã se nela houver o exercício constante do conhecimento e prática da doutrina de Jesus Cristo. Portanto, sem Caridade  não há conversão do Homem primitivo para o Homem  Civilizado na Civilização Ocidental.
                      Embora em 1990 já tivesse terminado a Guerra Fria entre o Campo Socialista representado de um lado pela Rússia, através da União Soviética, e do outro lado pelos EUA e aliados, esses ligados ao Campo da Livre Iniciativa e Liberdade de Expressão, ocorreu que intelectuais adeptos ou simpatizantes do marxismo continuaram ativos. A produção intelectual marxista do período da Guerra Fria  foi marcada pelo combate aos valores culturais da Civilização Cristã Ocidental. Isso ocorreu não apenas dentro dos países sob a influência Campo socialista dominado pela Rússia/Soviética, mas também ocorreu dentro dos países ocidentais. Grupos marxistas partidários da União Soviética, atuavam livremente onde havia liberdade de expressão e, principalmente, em países aliados dos EUA e cujos  governos se opunham ideologicamente ao sistema inspirado nas teses marxistas.  Intelectuais e simpatizantes marxistas puderam existir dentro dos países ocidentais e neles exercitar a Liberdade de Expressão, principalmente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento de formação cristã que experimentam períodos democráticos como o Brasil.
O século XX, que se encerrou no calendário  há pouco, foi marcado pelo conflito entre ciência e religião ou, mais especificamente, do materialismo marxista contra Religião, em especial a Cristã.. O combate a igreja e, em especial, ao Cristianismo esteve presente na produção intelectual das Universidades  estabelecidas dentro dos países desenvolvidos da Civilização Cristã Ocidental, mas também em Universidade Públicas dos países subdesenvolvidos e de influencia majoritária do catolicismo romano latino americano que via nos marxistas uma possibilidade de minimizar o avanço do protestantismo.
         Ainda que os intelectuais que se puseram a combater o cristianismo e a figura de Jesus Cristo tenham lido e relido o Novo Testamento, este livro, que difere os Cristãos dos das outras religiões  monoteístas,  foi dissimulado e condenado como leitura e fonte de conhecimento pelos intelectuais de influencia marxista. Considere-se ainda  que a  falta de interesse  pela leitura do Novo Testamento assim  como da Bíblia Sagrada em seu todo, deve-se também a influência da Igreja Católica Apostólica Romana num todo e, em especial, da América Latina. Ocorre que, em função da diferença entre a sua prática religiosa e organizacional em relação a alguns  princípios da Doutrina Cristã,  a Igreja Católica Romana da Contra Reforma,   proibiu, em 1564 a leitura da Bíblia por qualquer indivíduo que não fosse clérigo e ainda  manteve sua Bíblia  escrita em latim. O latim  foi mantido como a língua utilizada nas missas até a década de sessenta do século XX aqui na América Latina.  Essa decisão de manter a missa e a  Bíblia usado pelos clérigos em latim obedece a decisão do  Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563.  Com o Concilio de 1545, a Igreja Católica Apostólica Romana  respondeu politicamente à Reforma Protestante de iniciativa do monge agostiniano alemão Martinus Luter (Martin Luther) que propunha,  desde o século XV, entre outras coisas, a tradução da bíblia nas línguas locais para que toda a população tivesse acesso ao seu conteúdo.
        Mesmo sendo a base da construção do indivíduo ético, moral e comportamental da civilização cristã, tanto ocidental como oriental, a indicação da leitura da Bíblia Sagrada, em especial do Novo Testamento, que alimentou Eduardo Galeano na América do Sul e a maioria dos filósofos da Escola de Frankfurt, foi condenada pelos  pedagogos do sistema público de educação, inclusive para os cursos de graduação, nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento como o Brasil.
A  Caridade pode ser lida no livro escrito há quase dois mil anos pelo apóstolo de Jesus Cristo, Paulo, em I Coríntios, capítulo 13, que a descreve assim:
“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.      
        E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria.
         Ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria.
         A caridade é sofredora, é benigna: a caridade não é invejosa: a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita,, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca falha: mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado... “  
           A produção intelectual que ainda hoje manifesta intenção de enfraquecer a Caridade e a Jesus Cristo,  é instrumento político que visa desgastar e fazer ruir a Civilização Cristã Ocidental e, como consequência,  o Cristianismo em todos os cantos da Terra. No entanto, diferentemente de outras doutrinas e civilizações, na maioria das vezes, com base na Caridade, no Perdão, no Amor ao Próximo, na Tolerância de não julgar, e, principalmente, na fé e esperança de conversão e aprimoramento humano interior como ação da própria Doutrina Cristã, têm-se tolerado manifestações contrárias a Cristo. Entretanto, certas manifestações, que aparentemente se sustentam na Liberdade de Expressão,  têm  se mostrado de insuportável selvageria até mesmo para os que não são Cristãos.(PIGATTI, V, T., 2014)

                                                         Valionel Tomaz Pigatti
São Paulo- 2013/14

            Currículo Lattes:  http://lattes.cnpq.br/0781027245850748

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Antes disso tudo sou Homem. A DIVERSIDADE CULTURAL


                                                                                                                                (PIGATTI, V, T., 2013)
Antes disso tudo sou Homem... 
      D I V E R S I D A D E        

        Poderia elaborar comparativos acadêmicos baseados em obras de autores consagrados como sociólogos, antropólogos, cientistas etc. No entanto vou partir do meu olhar, da minha existência, da minha experiência, do meu conhecimento acumulado que, em alguns casos, foram despertados a partir da leitura de obras desses autores.  Permita-se, portanto, em alguns momentos narrar na primeira pessoa. 
               A globalização e o estreitamento virtual das relações humanas proporcionadas pela internet, possibilita o conhecimento, quase que instantâneo, de toda atividade humana interligada por essa tecnologia no globo terrestre. A compreensão da Diversidade Animal, Vegetal, Geográfica, Topográfica e Humana do Planeta Terra, exige que se reflita sobre a necessidade de respeitar  outros  habitantes que possuem  características diferentes da minha ou da tua. No meu caso, essa constatação faz-me  reconhecê-los, mas também trabalhar para que os outros habitantes do planeta, e mesmo os que vivem no território onde estou estabelecido, respeitem-me e a história dos meus ancestrais. 
           Nascido e vivendo em São Paulo, Brasil, me esforço para que os outros respeitem o que fui, o que sou, o que pretendo ser. Aqui na América do Sul, no Brasil, em São Paulo, na capital, essa diversidade é muito próxima, pois está onde residimos,  no vizinho, nos transeuntes, no transporte coletivo. No entanto, a diversidade  não é reconhecida no sistema educacional, na produção acadêmica e intelectual nacional, como também não é reconhecida na organização política e administrativa do Estado Brasileiro. Para nós, latinos americanos de origem europeia não portuguesa, não indígena, não africana, estabelecidos no Brasil, a questão da diversidade deve ser focada a partir do nosso próprio olhar. Portanto, a diversidade, para nós,  deve ser vista de forma diferente de como a observa ou são levados a observá-la aqueles que não está neste continente, mas em outros países, como, por exemplo,  os  asiáticos, os africanos e os europeus
             Não podem nos entender os que nos querem classificar a partir de seus países de origem onde a população é milenar e homogênea. Não podem nos classificar os que se valem dos catálogo de publicações oficiais das embaixadas do governo e de instituições públicas brasileiras.  Os intelectuais de outros países não podem continuar generalizando como se no Brasil todos imigrantes tivessem a identidade ancestral totalmente diluída na cultura que os recepcionou, principalmente agora em que se dá o estreitamento das relações pela globalização e internet.
                             Exigir o reconhecimento da diversidade aqui no Brasil é prioridade. Trata-se de uma federação de estados colonizados por emigrantes provenientes de diversos estados europeus, africanos e asiáticos. Esse emigrantes se juntaram em comunidades  espalhadas pelo vasto território federativo estabelecendo uma quantidade patente de diferenças culturais e étnicas entre os estados e regiões que abrigam as populações do território brasileiro. Não trato aqui neste texto das diferentes opções sexuais tão em voga,  ou de gostos específicos de públicos consumidores cuja opinião é formada pelo monopólio da comunicação das mídias do Rio de Janeiro ou de São Paulo.  Trato sim, das diferenças culturais, geográficas, climáticas e étnicas que identificam os povos brasileiros. Por isso é importante exigir o reconhecimento dessas diferenças e o direito de preservar a história e a característica cultural de cada qual. 
                     Esse exercício de preservação cultural nos mantêm íntegros e nos protege dos projetos totalitários de ideologias que pregam a uniformidade, pasteurização como desejam os politicos marxistas,  ou a preponderância deste tipo sobre aquele outro ou mesmo dos que se julgam proprietários da identidade brasileira. Esses últimos apregoam conceitos culturais sustentados na miscigenação e reclamam direito histórico sobre a identidade por se afirmarem como   primeiros colonizadores. Os espaços para a imposição dessas ideologias totalitárias tem diminuído  devido a globalização e o rompimento das fronteiras físicas causado pelo desenvolvimento da internet. Diante desse novo quadro, empenho-me, tanto de forma física quanto de forma intelectual, a trabalhar  para que a diversidade sob o foco cultural e étnico seja uma realidade compreendida, exercitada e respeitada  entre os homens, deles para com as mulheres, de todos para com  as crianças e para a natureza e os animais. Deve haver respeito entre  a natureza territorial, abstrata ou não, de cada grupo  cultural. Mesmo que abstrata ou ainda que um esteja territorialmente distanciado  do outro, deve ser respeitada e  considerada as características específicas da natureza geográfica de cada localidade.
                                Aqui no Brasil, a convivência entre os diferentes  deve se pautar em trocas e permutas cotidianas, pois que  conviver reconhecendo os outros e as características que nos diferem  é  reconhecer a si mesmo, é exigir a contrapartida. Esse reconhecimento é o que pode dar continuidade estável ao acordo federativo brasileiro.  Ao reconhecer o Belo na natureza biológica, paisagística, geográfica em que o outro está inserido estamos , ao mesmo tempo,  exigindo que o reconhecido também nos reconheça e tudo o que  está vinculado a nossa história. Portanto, somente reconheço aquele costume  ou aquela manifestação desde que a existência da mesma não cause danos ou a destruição de outros seres vivos diferentes, de culturas diferentes, enfim;  à diversidade. Desta feita posso afirmar que não me comporto e não me confundo com o relativismo utilizado pela antropologia,  já que não sou neutro ao reconhecer o diferente, pois somente reconheço se for reconhecido.
                            O reconhecimento  deste ou daquele gosto, deste ou daquele costume, deste ou daquele folclore, desta ou daquela manifestação cultural  só pode ser exercitado com consistência e  profundidade por quem tem identidade própria. Pois somente pode respeitar o outro  aquele que não é vazio, mas que tem conhecimento  da sua própria identidade, sua própria história, da sua própria trajetória. Somente os que detém a consciência  de se reconhecer é que podem colaborar no contexto da diversidade. Somente quem se identifica dentro do seu  próprio contexto cultural ou histórico pessoal e coletivo pode  exigir e lutar por esse reconhecimento em contexto diverso  de cultura e de educação promovida por este ou aquele Estado nacional. Não há, portanto, espaço para o uso do distanciamento do pesquisador antropológico, pois se trata de ação de quem foi inserido, age e também se expressa,  julga e manifesta valor que deseja ver reconhecido pela realidade, mesmo naquela realidade que já existia antes mesmo de ser inserido nela. 
                            A diversidade só pode se manifestar e ser respeitada em  País cujo sistema seja democrático e descentralizado,  que se assente em conceitos federativos e que produza, intelectualmente e na prática, os elementos da diversidade que configuram sistema federativo e multicultural. É necessário  que o Sistema de Educação em  país federativo e multicultural, de grande ou pequenas proporções,  atenda essas especificidades, democratizando os conteúdos das matérias escolares para  atender a diversidade  e satisfazer todas as realidades regionais e locais.  Assim pode-se dizer que não é o Estado Nacional que deve ser reconhecido e preservado, mas sobremaneira o Estado Nacional é que deve reconhecer os indivíduos. O Estado Nacional é a contemplação e a garantia da diversidade. Portanto, a diversidade é o principio da produção econômica, da geração de emprego e do desenvolvimento humano.
                           Para  alcançar esse objetivo  é necessário exigir dos países recentemente colonizados do continente americano, bem como dos de grandes dimensões territoriais de impérios tradicionais que reúnem em seu território varias nações, tanto na Europa quanto na Ásia, que os instrumentos tecnológicos de industrialização, promoção, distribuição e arrecadação  que lidam com a educação e a cultura sejam democratizados, distribuídos e colocados a serviço da diversidade abrigada em seu  território. Somente através da descentralização político-administrativa, representativa e econômica do poder é que se criará um novo conceito de Estado Nacional sustentado na diversidade. Nele poderá se exercitar o respeito e  a dignidade ao indivíduo e se estabelecer um novo momento para a Civilização Ocidental Cristã,  seu  aprimoramento no mundo e, em especial, para a emancipação das  Américas. PIGATTI, V, T., 2013)

                                                                       Valionel Tomaz Pigatti (Léo Tomaz)

                                                                                                               
                                                                                                  Currículo Lattes:   http://lattes.cnpq.br/0781027245850748